sábado, 16 de setembro de 2017

Desejos

Desejos...
De andar sobre as águas.
De encontrar a flor de lótus,
nos pântanos da vida.
De traduzir mais entrelinhas.
De perdoar mais,
não só aos outros,
mas a mim mesmo.
De partilhar da ceia,
ainda que com as migalhas caídas na mesa.
De saber o exato local de assentar-me,
ao fundo da festa.
De saber a hora da renovação.
De ter a humildade de reconhecer as falhas.
De acreditar mais.
E ter uma coragem desprovida de razão,
muitas vezes insana aos olhos do mundo,
para dar passos nos caminhos sombrios,
mas necessários e inevitáveis para o crescimento. 
 
 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Divagações

Há um sentimento vagando por aí...
Verbalizado nos mais extrovertidos.
Ofuscado de distintas formas, 
sobretudo nos âmagos mais fechados, 
seja na comunicação não verbal, 
ou mesmo nas sinalizações.
Invísivel aos menos observadores.
Andarilho dos espaços da mente, 
navegante de redutos abissais,
viajante da madrugada,
residente por vezes recluso.
Sentimento movido à esperança, 
capaz de apegar-se a princípios contrários,
não vislumbrados aos olhos externos.
É o desejo de vida.
A clara consciência,
de que frutos não vêm como obra do acaso,
mas como consequência da semeadura.
É a vontade de ser cada dia melhor, 
de entender que sempre podem haver novos caminhos...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Esperança

Enquanto houver chama,
ou quiçá uma centelha de fé,
múltiplas perspectivas abertas.
Na movimentação dos ponteiros,
instantes adicionais para novas oportunidades.
Pelas areias da ampulheta,
o consumo econômico dos grãos convertidos no tempo.
Em havendo energia,
a força pra lutar.
No cerne de vontades,
a possibilidade de manifestar desejos.
Em já havendo flores,
frutos a esperar.
Com a fome,
a probabilidade de se saciar.
Em meio à existência de sementes,
esperanças a plantar.
Em havendo trabalho,
colheitas a esperar.
Pela iminência de boas notícias,
novos caminhos a planejar.
Sempre que o pulso estiver correndo pelas veias,
o florescer de novas arfadas.
Enquanto existir um novo dia,
a renascença com o advento dos raios do sol.
À medida que houver vida,
a possibilidade do milagre.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Prelúdio

Uma ponte,
mesmo que vulnerável a cair nas águas,
mas que leve a outro lado do rio.
Uma carona,
que se move pela estrada empoeirada,
na desconhecida e rústica Veraneio.
Um cantinho na jangada,
que se aventura no mar.
Um espacinho,
na carroceria insegura de um caminhão,
ou quiçá,
nas chacoalhadas intermitentes de um carro de boi.
Um assento,
fragilmente selado,
no lombo de um burro.
Um passaporte,
só de ida,
no horizonte desconhecido.
Uma coruja,
com asas benevolentes,
capaz de guiar pela escuridão da noite.
Uma gaivota,
que sobrevoe o infinito do mar,
e que conduza a uma nova cidade.
Um peixe,
que leve pelas profundezas dos oceanos,
nos distantes redutos abissais.
Rusticidade na origem,
precariedade do transporte...
Meios e variadas circunstâncias para evadir.
Num grande desejo de partir,
o coração se apega à mínima possibilidade de fuga.
Independente da forma de saída,
sempre existirão incertezas sobre as novas estações de parada,
neste trem que percorre o caminho da ilusão.
Depois de um tempo,
dificuldades no contexto da saída pode se tornar até irrelevantes,
posto que exigências da vida são constantes.
Mesmo que alguém possa ter sido beneficiado nas suas primeiras partidas,
pessoas sempre terão que desenvolver novas habilidades.
Na musicalidade da vida,
sempre exigirão novos repertórios, novos acordes.
Cada regente deverá desempenhar novas maestrias.  

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Recôndito

No alto da serra,
entre fontes e nascentes,
uma vivenda na simplicidade.
Rusticidade paira no ar.
Numa extensa,
simples,
e aconchegante varanda,
abrigo aos pássaros,
receptividade para visitantes.
Portões livres aos pensamentos.
Cômodos convidativos à oração.
Reflexão,
acolhimento.
As atenções são variadas:
movimentos dos pássaros,
uivos dos ventos,
neblina do horizonte.
Liberdade para arranhar acordes,
cadenciar canções,
arranhar versos.
Em substituição às exigências do ofício,
a espontaneidade.
Ponteiros do relógio giram despercebidos.
Nada de processos, metodologias...
Adaptações com o remoto garantem
funcionalidade do essencial.
Rodeado de árvores,
um ambiente de abrigo para a alma.
E no coração de um corredor,
outrora aflito e apressado,
a serenidade,
a mansidão.
O desejo de chegar antes do amanhecer,
e preceder os raios do sol não mais existem.
Aprendizados se desconcertaram.
No alto da colina,
o viajante inquieto quer mesmo é descansar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Mensagens

Nas notícias do vento,
a brisa ecoa mensagens.
Sucessão de conotações relacionadas a:
poeiras assentadas;
respostas assertivas;
tempestade acalmada;
fotografias reerguidas na parede;
acordos formalizados;
dívidas sanadas;
nós desatados;
porteiras abertas;
destinos alcançados;
sonhos consumados;
sossego prolongado.
...
Sinalizações improváveis no comunicado:
recados aparentemente retorcidos;
supostos devaneios;
provável dissonância.
A luz se apagou, ou o pulso parou.

domingo, 16 de julho de 2017

Maria

Dedicação exclusiva ao projeto de Deus.
Exemplo de mãe que se entrega, de corpo e alma, ao projeto do filho.
Fidelidade extrema na fé.
Na cultura brasileira, a visão de uma santa que está ao nosso lado. 
Somente aqui no país, são mais de 1100 títulos de nomes distintos dados a ela. 
Isso envolve locais, motivos, circunstâncias, momentos da aparição...O principal, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, oficializado como a Padroeira do Brasil. 
Outorga realizada no final da monarquia, pela Princesa Isabel, que lhe deu a coroa de Ouro e o manto de proteção.
Na Bíblia, mencionada desde o primeiro livro, o Gênesis; passando entre os profetas do Antigo Testamento(Isaías, Jeremias...); pelo Novo Testamento, nos quatro livros do Evangelho, bem como no livro final, o Apocalipse.
Ultrapassa os limites do Evangelho, sendo responsável pelo começo da constituição da Igreja.
Vida sem reclamações, queixas...
Pessoa com um comportamento muito simples, sereno, sagrado e com amor nos pequenos gestos em tudo o que fazia.
Era conhecedora da realidade que a acercava e do seu mundo, mesmo com pouca idade.Ao dar o sim, assume valores sociais contraditórios à sociedade (hostil e hipócrita) com sua condição de grávida.Mesmo assim, encarou a realidade dos fatos, não hesitando ou se amedrontando com o risco de ser considerada adúltera por José, ou de mãe solteira pela sociedade. 
Teve convicção em aceitar o convite do Senhor.
Certeza de fortaleza e referência às mães lutadoras que, na prática, são diariamente sujeitas a esta condenação moral dos fariseus de hoje.A aceitação não foi algo infantil, apesar da idade de 16 anos. 
Houve maturidade sim, perguntando, inclusive, como seria a concepção, posto que não houvesse o ato em si.
Referência para entregarmos nossas falhas, mazelas, inseguranças...
Com seu sim, ela muda os rumos da história da humanidade.No parto, ela mesma o enfaixou e o pôs na manjedoura (compare ao modo que isso acontece hoje).
Desde cedo, começa a conhecer o destino do seu filho. E na trajetória de Jesus, segue sempre seu caminho, com participação ativa na vida do Messias.
No primeiro milagre, nas Bodas de Caná, já estava ela intercedendo: “Façam tudo que ele mandar”.
Força sobrenatural para suportar as dores do mundo, ao ver seu filho sendo perseguido, indo ao calvário e pregado na cruz.Conservava todos os fatos no seu coração, meditava constantemente, e jamais se vangloriou desta situação. 
Nunca se colocou como celebridade.Digna da Virgindade Perpétua, Imaculada, Mãe de Deus: dogmas concebidos pela Igreja.A morte e degradação da carne/corpo estão ligadas ao pecado. 
Porém, no seu caso, como não havia pecado, deu-se a assunção. E ela subiu dignamente aos céus, da forma mais sagrada e nobre perante os olhos do Pai.
Modelo de mulher, mãe, esposa: o máximo de referência para um ser humano.
Aparições?Por praticamente todas as partes do mundo.
Em muitos dos casos, ela se mostra à imagem e semelhança dos mais oprimidos, com aspectos físicos semelhantes aos moradores das regiões em que se revela.
Ela está acima de raça, cor, etnia, cultura...
No México, a Virgem de Guadalupe se manifesta na forma de uma índia, na época em que a nação asteca era devastada pela colonização espanhola.
No Brasil, como negra, no período obscuro e oprimido da escravidão.Em Fátima, Portugal, com trajes típicos simples de uma camponesa.
(...)
E pelo mundo afora, muitos milagres, profecias...
Personalidade reta, convicta, que se entregou integralmente, e como ninguém, ao plano divino. 
Deixou-nos um incomensurável legado.
Que ela sempre nos acompanhe e rogue por nós !

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Pensando no mar

Na imensidão do mar.
Movimentos contínuos.
No batido das ondas, metáforas a refletir.
Influências da Lua...
Marés altas, mares baixas.
Vida que ora vem, ora vai.
Chegadas, partidas.
Ressacas, invasões, arrebentações.
Inspiração dos poetas.
Para os gregos, menções a Poseidon. 
Para os romanos, citações a Netuno.
Aventura para navegantes.
Fonte de renda aos pescadores.
...
Ao longo das derivas, as vulnerabilidades.
Com as ilhas, a possibilidade do isolamento, a deserção.
Através da linha do infinito, a fuga para a pasárgada.
Pelas asas do albatroz, a carona para longos sobrevoos.
Com a gaivota, o esforço, o trabalho do sustento.
Nas profundezas, o abissal, o mistério.
Consoante à dinâmica na beira da praia, a pulsação.
E nos barulhos, o sopro de vida, a efervescência radiante por todos os lados.

terça-feira, 11 de julho de 2017

----------------------------------- Lembranças -----------------------------------

Saudade...
Lembranças
Sentimento forte que fica e que parte
Dualidade
Dicotomia
Inquietação pulsante da alma
Passageira da vida
Viajante do espaço e do tempo
Emoção concretizada em símbolos, em objetos
Manifestadas de formas diversas:
Cheiro da camisa
Abraços ternos
Ligação telefônica da madrugada
Lenços umedecidos de lágrimas
Doce de mamão
Almoço no domingo
Calça remendada
Bolsa arrumada para viagem
Café torrado e passado na hora
Arrumação de quarto
Carinho
E afins.

Desejos

Desejos... De andar sobre as águas. De encontrar a flor de lótus, nos pântanos da vida. De traduzir mais entrelinhas. De perdoar mais, não s...