quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sementes

Na juventude, o trabalho de plantio.
No coração jovem, o impulso e energia propulsores para enfrentar, com coragem e resiliência, a estrada desconhecida do mundo.
A esperança e convicção, muitas vezes ingênua, de um determinismo com nossos atos...
Nos ventos, o sopro e cheiro de uma nova estação no horizonte.
No solo, o cuidado meticuloso e, quase sempre inexperiente, com a terra.
Normalmente, o desconhecimento do local em que se planta é a maior realidade.
Nem sempre há tempo de planejamento ou de conhecimento do terreno.
Jogam-se mais sementes ao vento que na terra.
Na semeadura, a crença cega no nascimento, formação das raízes e posterior colheita dos frutos.
E nos solos da vida, a fertilidade não encontra hospitalidade.
Muitos ciclos se passam e a estação esperada nem sempre chega ou manda recado.
As experiências amadurecem mais propriamente que os frutos.
A capacitação e a habilidade florescem de maneira tardia, mais pelos erros que acertos.
Viver é assim.
Entender que tudo isso tem um propósito...
É a única forma de obter respostas para uma série de questionamentos não respondidos.
Só de poder lançar novas sementes já é uma dádiva.
Infertilidades de alguns terrenos não podem nos impedir de lançarmos as mesmas em novos horizontes.

Dúvidas

O tempo tem uma capacidade enorme de fazer as pessoas reverem e mudarem seus conceitos.
Quão grande e surpreendente ele acaba sendo.
Quantas reviravoltas.
É ir vivendo e observando fatos e indivíduos para perceber estas metamorfoses.
Acredito ser natural, à maioria das pessoas quando bem jovens, questionar algumas posturas de seus educadores, sobretudo as dos pais.
Isso é algo inevitável, posto que todos, de alguma forma, são diferentes e têm suas identidades.
A incongruência de pensamentos nem sempre consegue fluir para um caminho de convergência de ideias, ao consenso.
Em certos casos, por questões puramente de dificuldades e turbulências no relacionamento diário, muitos acabam até saindo de casa.
Abster se de casa não está necessariamente associado a fatores emancipativos, investimentos pessoais, estudos...
Pode ser algo simplesmente relacional.
Assim, pessoas que antes moravam juntos, tornam se meros vizinhos e visitantes casuais.
É...
Anos passam, e certos valores vão paulatinamente modificando o olhar das pessoas e suas respectivas personalidades.
De forma gradativa e metafórica, permutam se as lentes e seus graus.
Os focos são mudados.
Fadados às constantes intempéries da vida, bem como aos reflexos de frequentes escolhas, o ser humano vai sendo remodelado.
De tudo isso vem algo inusitado e curioso que somente o fator tempo consegue mostrar, com o decorrer dos anos: em muitas situações e atitudes nossas - que outrora foram causas de brigas e desavenças por ações de nossos pais - repetimos os mesmos procedimentos.
Como pode o passado ter causado, em algumas circunstâncias, tanto desconforto e incompreensão em nós?
E como podemos hoje ter atitudes exatamente semelhantes?
Achamos sim que mudamos?
Verbalizamos isso de muitas maneiras, mas de certa forma, parece que tornamos os mesmos passos que nossos pais.
Porque as pessoas repetem estes comportamentos?
Nossas maiores mudanças seriam para nos tornar iguais a eles?
O que cada um concluiria disso pela reflexão dos anos?
Que seus pais realmente teriam razão ou que elas são, relativamente, as mesmas?

sábado, 19 de dezembro de 2015

Sobre escrever

Nas palavras, o passaporte rumo à viagem do infinito.
Escrever é um ato concreto de manifestação de liberdade, de pensamento...
Nas ideias embaralhadas, como num jogo de cartas da vida, a possibilidade de refletir melhor sobre as regras, e os próximos lances a serem feitos.
Ao ato da escrita reflexiva, abre se a capacidade de navegar por muitos destinos.
É o início de um diálogo consigo mesmo.
Pontos de vista destoantes da mente manifestam suas observações, com o objetivo de convergir as ideias por meio das palavras.
O exercício contínuo e constante destas reflexões - materializado entre as letras - permite a criação de um fluxo menos desarmônico e mais sereno de nossas ações no cotidiano.
Assim como um rio, que flui por seus meandros, a escrita consegue rearranjar melhor nossas ações e nossos rumos, possibilitando-nos uma cautela e paciência maiores para lidar com as inevitáveis adversidades e tempestividades da vida.
Ao longo do tempo, assuntos e temáticas similares poderão ser recorrentes. Aliás, não temo como fugir disso.
O curioso disso é que, mesmo sendo nós, o autor de dois ou mais textos sobre uma mesma questão, escritos em momentos distintos de nossa vida, podemos dar interpretações ou mesmo veredictos bem descorrelacionados entre os mesmos.
Isso tende a ser algo super natural, ao longo desta trajetória e atividade literária.
Se considerarmos que, como gente, estamos sempre mudando, bem como fadados às surpresas da vida, a erros, desacertos... É normal que isso nos mova a reavaliar sempre nossos conceitos e interpretações perante muitos temas, o que poderia se refletir no que se escreve.
Que numa eventual comparação futura destas recorrências, possa chegar à conclusão, pela extração do sentido das letras, de que houve um crescimento como pessoa, sobretudo do ponto de vista humano, fraterno e de compreensão da vida.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Tempo das missivas

No mundo atual, a troca de mensagens vem de uma forma muito imediata.
As demandas atuais exigem respostas instantâneas, e o email pode não atender a esta rapidez necessária para o mundo corporativo.
Seguindo um fluxo tecnológico inevitável, o email esta, inclusive, fadado à obsolescência.
Mas, e antigamente, antes mesmo deste surto tecnológico do final dos anos 80?
Como se comunicavam as pessoas?
Eis a carta, ou missiva, conforme os lusitanos.
As gerações mais jovens nem conhecem direito isso. Não vivenciaram diretamente todo o ritual que se passava no envio e recebimento de uma mensagem.
Ao carteiro, responsável pela entrega, o transporte das notícias, dos sentimentos.
O atraso do envio, natural e típico das épocas, nem sempre trazia a notícia precisa dos acontecimentos.
O momento de escrita dos fatos, em que os sentimentos se permeavam nas letras e se convertiam no texto, criava todo um contexto lírico e sentimental. 
Depositado nas palavras, estava o coração.
Um romantismo enorme, que fazia vislumbrar no futuro como seria a reação de quem iria ler, ao receber a missiva.
Era como se o tempo e os fatos fossem parar até o recebimento da mesma. 
Havia sim, esta singela ilusão, que na prática não ocorria, posto que a vida não pára.
Muitos acontecimentos transcorriam nesses entremeios, e o coração de quem abria a carta já não tinha a realidade dos fatos, mas os relatos do passado.
E em função dessa falta de sincronismo que o rio fluía.
À chegada da mesma, vivia-se - nos instantes antecedentes de sua abertura - uma expectativa, uma emoção. Sobretudo na vida dos que tinham neste meio de comunicação o porta-voz da notícia.
Era assim, nesse ritual, que passos, embora lentos, caminhavam.
Hoje, isso pode parecer estranho com a pressa e imediatismo da sociedade, em que as demandas e entregas do trabalho são sempre pra ontem.
Acredito que, no passado, as pessoas sabiam viver e lidar melhor com o tempo, com a espera.
Embora o atraso das notícias e das informações fosse algo típico e inevitável, a vida se ajeitava melhor.
Apesar da lentidão, nada parava por conta disso.
Problemas e dificuldades existiam assim como hoje, mas em outros contextos e projeções.
Porém, havia um melhor encadeamento da vida.
Menos depressão. 
Mais felicidade, momentos para reflexão, para conversas ...
Havia, pois, mais tempo para tudo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sobre o Natal

Na televisão, nos shoppings, nas lojas: propaganda por todos os lados.
Comerciais cada vez mais sofisticados anunciam: o Natal está chegando.
Neste período, temos o ápice do consumismo.
Como um estímulo adicional às compras, o 13°. Mesmo que, em parte, já esteja comprometido pela maioria das pessoas, ele ajuda no comércio.
É, comercialmente, a melhor época do ano.
Muitos concentram seus ganhos especificamente neste período.
O foco no mercado e nas vendas é o que prevalece.
O ato de não presentear pode se tornar até mesmo algo constrangedor.
Há todo um trabalho sutil do marketing, induzindo as pessoas de variadas formas a consumir.
A própria imagem do Papai Noel está associada ao ato de dar e receber presentes: é o símbolo do período.
Os grandes grupos comerciais e/ou grandes redes deveriam reservar um espaço para mostrar também o Tio Patinhas, que é quem traduz a verdadeira essência da época: acúmulo desmedido de riqueza.
Em contrapartida a tudo isso...
Se analisarmos este tempo sob um olhar teológico, mais especificamente cristão, estamos no período do advento. Algo que não pode jamais ser associado a este consumismo desvairado cujo protagonista é o “bom velhinho”.
A data comemorativa que celebra o nascimento de Jesus, concebido no ventre da Virgem por graça e mistério do Espírito Santo, acaba ficando em segundo plano.
Nos canais de televisão, somente as redes de segmento cristão é que abordam esta temática de forma condizente.
Que despertemos o olhar para um novo foco, oposto ao materialismo.
Estamos diante de um ótimo momento para rever nossos valores, questionando os se estão condizentes com a mensagem deixada por Jesus.
Podemos sempre mudar o curso de nossa história por meio de atitudes cristãs. Podemos, pois, ter uma vida nova.
Que a celebração do Natal possa fazer nascer, concomitantemente em cada de nós, uma pessoa mais humana, solidária e fraterna.

Conclusões parciais

Andando pelas ruas...
Muito tempo se passou...
Muitas vidas que se foram, seguindo os inevitáveis meandros da vida.
Às vezes calma, nos remansos, nas planícies.
Ora variavelmente tensa, assim como as correntezas.
Ou ainda abrupta, nas quedas e cachoeiras.
Casas antigas que não mais existem, edificações emergindo sem critérios urbanísticos e ambientais.
Não há preocupações com acessibilidade.
PCDs? Ainda não se pensou neles.
O olhar externo, nessa arquitetura às avessas, é um ingrediente considerável para traduzir o caos da vida.
Nas ruas, um andar introspectivo: mais perguntas que respostas.
Sons externos não são suficientes para sobrepor aos ecos do pensamento.
Difícil haver espaços para a razão.
Um amontoado de histórias lançados na mente foram se armazenando, criando um verdadeiro baú de memórias.
Algumas atiradas na mente de forma sutil, outras de forma abrupta ou mesmo imperativas.
Nas árvores, já não corre a seiva.
Laços afetivos – sustentados por fatores sanguíneos – completamente desintegrados.
Elos fictícios não resistiram ao fator tempo, o qual se prontificou de formalizar em vida a existência de muitos personagens.
Máscaras, que se sustentaram por décadas, não têm mais poder de persuadir, de dissimular.
Atores do teatro da vida sem demandas para novos serviços.
Na velha árvore, sinais das intempéries das relações e tradução da fragilidade humana, da indiferença e concomitantemente, da resistência.
No horizonte, há paralelamente, o símbolo da continuidade e metamorfose da vida.
Uma nova semente brotou do trabalho e se edificou: reflexos de novas portas que se abriram, num cenário em que outras, mesmo em atos evidentes de covardia, foram se fechando.
Numa alusão à observação dos sinais, assim como, de maneira enaltecida e metafórica na "Parábola da Videira", vem o pensamento pela análise dos fatos com o transcorrer dos anos:
Como o tempo pode parar para muita gente?
Como ele pode consumir lhes intensamente, fazendo lhes, nos seus constantes desacertos, inebriarem se do próprio veneno?
Quão frágeis e superficiais podem ser algumas relações!
É ...
Pessoas têm uma incomensurável capacidade de sempre nos surpreender, sobretudo aquelas que já estiveram perto de nós, pois estas podem nos fazer achar (por um tempo) que conhecemos algo delas.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Correrias

No mundo da velocidade e da pressa, tudo deve ter uma resposta imediata.
Os prazos são sempre apertados.
Por mais que se trabalhe, ficamos sempre com a sensação que pouco, ou mesmo nada foi feito.
Em contrapartida, a ideia do ócio, criada pela civilização grega - na qual estaria residente a principal e estimuladora fonte de imaginação, pensamento e criação - é vista como um absurdo por muita gente. Sobretudo nos processos produtivos de massa.
Este conceito foi muito atacado no advento e apogeu da cultura americana. Estendo-se, naturalmente, na maioria das empresas até o presente.
Uma frase muito difundida e que se tornou clássica foi a do “time is money”. Uma associação clara de que tempo é dinheiro. Desperdício de horas jamais.
Na época de difusão destes princípios, houve inclusive muitas críticas a este controle exagerado e excessivo do tempo.
No cinema, Chaplin aborda bem esta situação, em “Tempos Modernos”.
A questão é que o tempo se passou bastante, cerca de um século, e estamos cada vez mais acelerados. Num vício frenético.
Para atender a demandas cada vez mais exigentes e rápidas, perde-se o espaço para reflexão e análises mais detalhadas de possíveis consequências de nossas ações, inclusive para nossa vida.
Reflexos desta aceleração desmedida são perceptíveis a todo o momento: um festival de erros, falhas e retrabalhos constantes. Algo que poderia ser evitado se houvesse uma avaliação prévia e mais criteriosa do todo.
Diante disso, creio que as pessoas estejam partindo para um mundo em que se erre bem mais que os já inevitáveis descompassos que cometeríamos pela vida para nosso aprendizado.
As pessoas estão sendo submetidas a uma situação de impotência, que as coloca mais vulneráveis que o convencional.
Há um agravante adicional constante e intermitente: o medo de perder o emprego.
Estamos diante de um verdadeiro drama coletivo, um fenômeno geral, que não fica só no mundo do trabalho, mas se estende também para o eixo familiar, contaminando a todos.
Outra consequência: a necessidade do ócio, tão divulgada na sociedade contemporânea por Domênico de Masi, não encontra espaço e condições adequadas para se fazer algo novo.
O tempo e a energia, que deveriam ser canalizadas para este fim, são consumidos para outros propósitos e finalidades.
Bom, estar conscientes desta situação já é um bom caminho, embora inicial, para se sobreviver a esta constante turbulência.
A racionalização dessa situação ajuda você a entender que a questão não é puramente um fato isolado, especificamente com alguém, mas algo mais coletivo.
É algo que não deve se mudar, sobretudo no curto prazo.
Logo, o ideal: tentar adaptar-se ao contexto.
Com o tempo, vai-se percebendo que não são somente fatores técnicos os elementos suficientes para este este guia de sobrevivência.
O segredo está nas sutilezas e nuances da realidade.
Para tal, é imprescindível ser o mais observador e cauteloso possível.
Uma pitada de serenidade e concentração podem ser bons ingredientes para se traduzir a realidade, e perceber as subjetividades e entrelinhas que nos acercam.
Com esta análise criteriosa, podemos, naturalmente, tomar ações menos propícias aos erros, neste mundo da correria e exigência de pressa na tomada de constantes decisões.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Orfandades

No dicionário, um significado associado à falta de pai e mãe.
Apesar disso, o conceito da orfandade pode ser mais amplo, vindo a manifestar-se em nossa vida de várias maneiras, sem necessariamente ter perdido os pais.
Em vários momentos do cotidiano, podemos viver esta sensação.
Uma completa falta de apoio, de segurança. Uma completa evasão de todos os sentidos. Enfim, de algo a que se apegar.
É como estar numa ilha, sem qualquer acesso ao continente... Nenhuma ponte, barco ou jangada na qual se possa remar.
Muitos dizem bastante nesse mundo de teorias e conceitos - que na prática diária não se evidenciam - que há sempre um caminho, uma alternativa... Mas no sentido da orfandade há uma completa letargia. Um vazio total.
A única ação a se tomar seria ficar à espera de um fator externo significativo. É algo que não depende mais de você.
Sensações diárias e similares a isso se vive por um dia, ou numa extensão maior, por muitos anos.
O tempo passa a não ser controlado pelos ponteiros, mas pelas batidas do coração.
Horas podem ganhar uma dimensão de anos, conforme a intensidade dos sentidos, dos sentimentos.
São casos assim:
·         Filhos que, diariamente, ausentam-se dos seus pais. Quando há um apego enorme da criança, esta carência diária pode se tornar algo maior. Sobretudo se a criança for muito nova, e não saber lidar e compreender tudo isso.
·         A ansiedade de uma criança quando os pais, por uma eventualidade da vida, não os buscam no devido horário ao fim do dia. Todos os coleguinhas vão sendo levados... E ela continua na espera, sem resposta. Neste caso, minutos de angústia podem se transformar numa eternidade.
·         A mãe que, ao raiar do dia, não tem notícias de um filho que saiu na noite anterior. Ou há dias, semanas.
·         O vício de alguém da família, que se encarcerou no submundo das drogas e todos os métodos e tratamentos já foram, em vão, realizados. Diante disso, todos veem a pessoa definhando, morrendo aos poucos.
·         A doença de uma pessoa muito querida, no qual a moléstia consome o paciente de forma abrupta, e os tratamentos médicos não geram resultados efetivos, pois é algo degenerativo.
·         Casais em que um dos cônjuges é um prisioneiro.
·         Filhos de pais encarcerados.
·         (...)
Cada um, dentro de sua vida, creio que viva isso em momentos
distintos da vida.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Pensamentos

Viver é navegar constantemente numa estrada de incertezas. É sim, um mistério.
Por mais que se consiga evitar algumas armadilhas devido a observações e experiências já vividas, haverá sempre o novo, que pode te tornar extremamente vulnerável aos erros e enganos.
Com o tempo, começamos a entender que a vida não vai te dar todas as respostas, nem mesmo que se viva longos anos...
A longevidade não é fator de explicação de tudo.
Ao invés de se dizer que já se viu de tudo, é melhor verbalizar que já se viu muitas coisas.
O tempo não necessariamente vai curar todas as feridas. e está longe de ser o senhor da razão, conforme ditado popular.
Aliás, nem consensos da sabedoria popular traduzem realmente todos os fatos.
Normalmente, o que se tem é uma alienação coletiva.
Para a maior parte das pessoas, é mais fácil - conveniente e pouco trabalhoso - pensar ou agir como a maioria, levados sutilmente pela indução da mídia e movimentos controladores de massa.
Bom, independentemente disso, sempre viveremos com a busca de respostas, que nem sequer nos sugiram algo...
Viveremos, inevitavelmente, situações que, ás vezes, temos uma completa falta de sentidos...
Uma profunda anestesia, etimologicamente falando. Nenhum jogo sinestésico de ideias ou sugestões: eco, fumaça, cheiro...
Noutra abordagem mais material eu diria: momentos em que até uma bússola se perderia.
Enfim, nenhum instrumento que nos dê um caminho..,
E neste cenário, um universo repleto de porquês.
Diante disso, a única forma de aceitação do inexplicável pode ser depositada na crença de que há um propósito maior para nós, perante o olhar do Criador.
Racionalizar e tentar viver este conceito já ajuda bastante, diante do universo de interrogações e questionamentos que sempre é comum do ser humano fazer.
Outras questões...
Pessoas podem sair da sua vida sem necessariamente ter partido...
Se à partida não for deixada uma mínima semente de saudade, é porque o relacionamento era extremamente desnecessário e dispensável.
Transcorridos certos acontecimentos com indivíduos que, outrora foram próximos, o melhor convívio é o abster-se. A melhor conversa é o silêncio.
Depois de um tempo, somente um amor forte pode manter e justificar o vínculo entre as pessoas, uma vez que a convivência está sujeita a erros, decepções...  
A prática ou mesmo tentativa de ações mais humanas nem sempre são determinantes para resolver problemas diários e recorrentes, porém são capazes de gradativamente trazer a paz interior.
Nem todos têm a oportunidade de comprar uma cama de ouro. Isso nem deve ser uma meta: é algo fútil. A verdadeira riqueza está na serenidade do sono, e a paz da madrugada, num momento em que o silêncio do dia faz ecoar os sons internos e contestações da consciência.
Às nossas ações, por mais determinadas e criteriosas que sejam, nem sempre estarão fadadas ao sucesso, mas o caminhar dos passos é sim necessário, mesmo que em muitos casos a derrota seja algo inevitável. A consciência disso não pode ser fator de nos deixar imobilizados.
Se o fracasso for resultante de ações que, embora perdendo lutamos com dignidade, acredito que exista ai uma vitória, mesmo que seja a do dever cumprido. 
Só o fato de nos ser dada a vida com saúde e mãos dispostas a lutar já é sim um componente positivo para mantermos nossa jornada.
Um dos segredos de se evitar a decepção é não criar expectativas. 
Não se deve esperar tanto das pessoas e do mundo...
Não podemos pedir a Deus por coisas que nós, primeiramente, devemos fazer...
Antes de pedir que Ele nos dê o peixe, precisamos lançar as redes em locais devidos.
Por fim... o que não se pode deixar de ter: coragem e de sempre querer buscar o melhor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Visões superficiais

Em vários momentos da vida, devemos, de alguma forma, dar uma opinião sobre fatos que nos circundam no cotidiano.
São acontecimentos das mais variadas situações sobre os quais o nosso olhar, muitas vezes externo, deve interpretar e dar um veredicto dos fatos.
De um modo até mesmo sutil, somos submetidos constantemente a esta condição de juízes do improviso, do imediato. Esta arbitrariedade imposta pode, ainda, mudar os rumos de nossa história, no qual pagamos por escolhas que nem sequer queríamos fazer.
É o tribunal da vida.
Para que tomemos nossas ações, por mais cautela que exista, temos, na maioria dos casos, visões muito superficiais para se ter uma avaliação precisa da realidade.
Ainda tem outro agravante: talvez até por uma forma inconsciente, é comum que avaliemos os outros pela maneira que pensamos, sobre nossa óptica do mundo.
Não há, pois, elementos suficientes e criteriosos para se decidir.
A consequência imediata destas análises de um todo somente com o olhar da parte superior do iceberg gera o óbvio: um festival inevitável de erros em detrimento aos acertos.
Por mais que tenhamos o livre arbítrio, tomamos decisões erradas e desumanas, mesmo que a intenção, às vezes, não seja esta.
Creio que a fonte disso tudo resida numa característica da qual nós humanos estamos privados: a onisciência.
Somos, pois, limitados.
Para ter este olhar além do horizonte somente há um caminho: com a intercessão do Espírito Santo.
Somente ele tem o dom da Ciência, esta iluminação divina que tem completa visão de todos os olhares que acercam uma realidade. É infalível.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Desígnio

O propósito de Deus para cada um de nós é algo bem difícil de analisar se colocarmos o mesmo sob uma óptica de nosso mundo.
Não é nada racional.
É algo extremamente misterioso.
Na vida, construímos laços afetivos por meio do convívio diário, sobretudo com pessoas mais próximas: pais, esposa, irmãos, filha...
À medida que conheçamos mais as pessoas e as aceitemos como são, sentimentos fortes de amizade e amor tendem a crescer e se tornarem cada vez mais intensos.
Se estes laços forem também de sangue, acredito que haja ainda um ingrediente adicional neste grande universo de sentimentos.
Bom, isso é até natural que ocorra. Faz parte dos frutos que a convivência sadia e sincera vai lançando no cotidiano, por meio das sementes lançadas.
É normal também que surjam daí sentimentos de apego. Um enorme desejo de não perder estas pessoas tão queridas, e a vontade de estar sempre próximo delas.
Diante de tudo isso, vem o desejo do Supremo, que tenhamos por Ele um amor bem superior a tudo o que exista na Terra.
Algo extraordinariamente além do incomensurável sentimento humano.
Esta passagem bíblica está presente na história de Abraão, quando sob o pedido de Deus, seu filho Isaac deveria ser sacrificado.
Trata-se de um exemplo de manifestação do amor a Deus, superior ao enorme sentimento pelo filho. E de fé extrema, no qual o mesmo acreditava que havia um desígnio maior do Senhor para ele.
Parece um paradoxo...
A nós é dada a possibilidade de amar infinitamente as pessoas, mas em algum momento vamos perder tudo isso, pois elas simplesmente partirão da nossa vida.
Além disso, de alguma forma ou em algum momento, talvez tenhamos que decidir sobre algo maior: se nosso amor infinito reside nos céus ou na terra.
A ideia do livre arbítrio que nos foi concedida talvez seja justamente para testar até onde chegamos no nosso limite, e também para mostrarmos ao Supremo, por meio de nossas escolhas, o que para nós é o mais importante.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sabiá

Ave símbolo e referência do Brasil.
Muito popular, com nomes variados ao longo do país: sabiá-laranjeira, sabiá-gongá, sabiá-cavalo, sabiá-piranga,  sabiá-vermelho, sabiá-amarelo, sabiá-de-peito-roxo, sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-coca ...
Conhecida tanto por quem vive no campo quanto na cidade.
Mesmo antes do raiar do dia, canta para entoar o começo de uma nova jornada: um ânimo adicional para quem começa o dia bem cedinho...
A entonação do seu hino é perceptível de forma mais intensa à partir do mês de setembro.
Ave que se destaca com seu canto na chegada da primavera.
Na literatura e na música, está presente entre as letras, entre os versos.
Em alguns casos, a temática ficou até imortalizada, como na Canção do Exílio, em que Gonçalves Dias fala de sua imensa saudade da terra natal, bem como do enorme desejo de ouvir seu canto.
Ideia mais contemporânea, similar e nostálgica temos noutra canção, de Chico Buarque e Tom Jobim, cujo próprio nome foi intitulado de Sabiá.
Muitos outros grandes músicos e poetas fixaram a mesma em seus cantos e poesias: Luiz Gonzaga, Drummond, Milton Nascimento...
No folclore, contos e causos aos montes.
Para os índios, uma lenda: falam que se na primavera uma criança ouvir seu canto ao longo da madrugada, esta será abençoada de muita felicidade e paz ao longo de toda sua vida.
Com tanta referência e notoriedade, acaba recebendo celebridade de artista: dá espetáculo, sem se preocupar com o cachê.
Nem precisa. Ele já tem o que muitos passam a vida buscando e dificilmente vão encontrar: a liberdade. E isso não tem preço.

Estações

Sinais de renovação...
A primavera chegou.
Dentre as estações, esta é o melhor exemplo de observação dos sinais de renascimento por meio da natureza.
Na Bíblia, a parábola da Videira, no livro de Mateus, fala sobre as observações externas como elemento de verificação de que algo se aproxima.
As mudanças no ambiente podem ser perceptíveis de várias formas.
Aos amantes da fotografia, um cenário externo bem favorável para o exercício desta atividade.
Nas ruas, é possível se notar, visualmente, a floração de muitas espécies de árvores.
Nos Flamboyants, o espetáculo da florada, inclusive um na rua que moro. Muitas outras plantas também, ao longo da cidade, marcam o início deste novo ciclo: a Sapucaia, o Jacarandá, o Manacá da Serra (este se enche de tanta flor que acaba escondendo as folhas).
Na percepção sonora, o canto dos sabiás e das cigarras (esta ainda se estende até o verão).
Em muitos locais pelo mundo, a chegada da mesma acaba sendo atração turística. É a celebração da vida.
Normalmente, no ciclo vital de uma planta, o inverno (estação anterior ao espetáculo) está marcado por um período bem difícil, associado à diminuição de água, dias mais curtos de iluminação solar (algo vital às plantas)... Há uma queda significativa no processo de circulação da seiva. E é normal que muitas delas entrem em dormência, com a queda de suas folhas. Há também outras que não têm, necessariamente, esta perda, mas mesmo estas passam por este descanso vegetativo.
Este paralelo destas duas estações vale como metáfora para nossa vida: após a dificuldade e momentos difíceis, esperam-se dias melhores.
A primavera celebra, de fato, um rejuvenescimento, uma mudança dos rumos. 
Ela significa um recado para nós. É um sinal de que as coisas são perenes: tudo é passageiro.
De forma inevitável, o inverno, literalmente, sempre vai passar por períodos em nossas vidas.
Quando este chegar, o que se espera é que a primavera venha logo.
Somente é bom ter consciência que, muito possivelmente, ela não chegará no tempo de uma estação e/ou cronológico, mas no tempo do Senhor.

sábado, 24 de outubro de 2015

Diferenças

Ao ler um pouco de filosofia grega, veio a temática do amor, com suas definições e conceitos.
Em português, somente temos um significado para o mesmo, que pode se manifestar de distintas maneiras.
Na nossa língua oficial, várias situações vivenciadas por qualquer pessoa podem ser categorizadas unica e genericamente como amor.
Curiosidade: se interpretarmos o mesmo numa abordagem grega, esta definição é muito mais ampla, segmentando-se, particular e semanticamente, de três tipos: eros, filos/filia e ágape.
Se tirarmos exemplos de nossa música e literatura, temos citações das mais variadas na qual a temática é falar de amor.
Em Soneto de Fidelidade, Vinícius de Morais escreveu:
"(...) Que não seja imortal, posto que é chama ... Mas que seja infinito enquanto dure (...)".
Já em Chico Buarque, nos versos "De Todas as Maneiras", há uma exaltação enorme de um amor vivido intensamente, e considerando-se já ter explorado todas as formas de amar, o poeta diz:
"(...) Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração (...)".
Numa interpretação à brasileira, está se usando a máxima articulação e encadeamento das palavras para se falar de amor. E a ideia aqui era citar, propositalmente, dois expoentes máximos de nossa música e literatura.
Mesmo assim, para o grego, este amor relatado na poesia poderia não ser tão grande assim.
Haveria ainda, muitos mares para se navegar em direção ao infinito.
Nos dois exemplos (Chico e Vinícius), teríamos somente um amor mais carnal, o eros.
Em contrapartida, a este amor muito mais intenso, completo e abrangente, temos o ágape.
Dentro deste conceito (mais profundo), diferentemente do que valeria para nosso idioma, a intensidade deveria ser reescrita, caso o propósito fosse traduzir este sentimento infinito:
•Ele não morreria, mas transcenderia à morte.
•Jamais desejaria ou permitiria que o outro partisse.
•Caminharia sempre junto, pois o amor não abandona.
•Não seria eterno enquanto durasse, mas ... duraria para sempre.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Mistérios e seus sinais

A todo momento, uma surpresa.
A vida está o tempo todo jogando com a gente.
Nos versos de Guimarães Rosa:
"(...) Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos.
Ou a ausência deles (...)".
Em certas passagens, sinto como se estivéssemos constantemente sobre um tabuleiro de xadrez, jogando com um exímio profissional.
O caminho de incertezas com os passos seguintes pode se tornar desconcertante.
Nem sempre se consegue ver todas as possibilidades de dar os próximos passos, muito menos as consequências.
Diante disso o que fazer?
Em algumas situações, a ação poder ser, simplesmente, passar a vez, não fazer nada, à espera de um fator extrínseco que possa mudar, mesmo que, sutilmente, as regras do jogo.
A sabedoria dos mais antigos diz que é preciso praticar o hábito de ler os sinais dos tempos por meio dos sentidos, de forma a tentar interpretar a realidade por meio de suas nuances, entrelinhas, sutilezas...
Isso não é nada fácil.
Nas orações, na música e na literatura, esse pensamento está, de alguma forma, traduzido em canções, versos...
Ao se invocar os sete dons do Espírito Santo, esta temática se mostra presente, ao pedir o Dom da Ciência, Sabedoria...
Na Bíblia, o livro de Mateus retrata isso por meio da famosa "Parábola da Videira", recomendando a leitura do que se aproxima por meio dos sinais.
Na música "Tocando em Frente", de Almir Sater, aborda se isso no verso: "(...) penso que cumprir a vida seja simplesmente conhecer a marcha (...)".
Exemplos não faltam para traduzir estas ideias, independentemente do período em que foi pensado e verbalizado.
Por mais que seja importante tentar decifrar os momentos e situações, é preciso compreender que isso é algo inerente de nossa existência. Não teremos, pois, resposta para tudo. Aliás, o próprio ato de nascemos e o dia exato que morreremos já é um mistério.
Por sermos humanos, somos sim limitados, não somos oniscientes... onipresentes...
Diante disso, o inevitável mistério da vida continua.
Somente posso extrair uma certeza: a de que nem sempre será possível ver a "Terceira Margem do Rio", de Guimarães Rosa.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Falando um pouco de fé

Viajar no desconhecido.
Incertezas que consomem o coração de quem vai rumo ao horizonte…
Ao longo da história, por vários momentos, há relatos dessa dúvida com o que nos espera.
No período de retorno do povo judeu à Terra Prometida, Moisés confronta-se com o medo, mas seguiu em frente com sua fé para que o Mar Vermelho se abrisse.
Pedro, ao pisar, inicialmente sobre as águas, vê seus pés afundarem.
No período das navegações, início da Idade Moderna, um receio geral existia nas pessoas por estarem desbravando o mundo além do mar. Este momento foi relatado nos Lusíadas, obra de Camões.
O medo tinha até um nome: o gigante Adamastor.
Hoje não é diferente, a busca de novos caminhos, de novas alternativas, sempre consome no universo humano um certo receio.
No nosso cotidiano, este sentimento somente muda de nome, endereço, circunstância e fatores afins…
O novo é sempre agregado de dúvidas.
Pessoas mais abertas às mudanças acabam sofrendo menos com a tomada de decisão, porém o sofrimento delas "costuma" ser maior, naturalmente, com as consequências de suas ações, que nem sempre são associadas ao êxito.
Por outro lado, imagino que a pessoa cautelosa sofra mais com a indecisão que com a ação.
De modo geral, todos sofrem de alguma forma com as decisões rumo ao horizonte nebuloso.
Olhando nos arredores do cotidiano de pessoas conhecidas, as histórias alheias de insucesso servem também como fatores negativistas à nossa tomada de decisão.
Algo até natural, posto que a vida tem muito mais derrotas que vitórias.
Se observarmos a vida ao longo de toda a humanidade, acredito que todos os grandes personagens que se dignificaram por suas decisões, tenham partido, na maioria das vezes, de condições não tão propícias para realizarem as suas grandes mudanças.
No estudo de grandes homens que traçaram os rumos de nossa história, tenho percebido que o medo (algo inevitavelmente presente na essência do homem) sempre habitou o universo e a mente destas pessoas.
Entretanto, muito supostamente, eles todos tiveram algo em comum, que é a fé.
Fundamentalmente, esta não exige que nada esteja a seu favor. Ela somente necessita que você a tenha e a consuma integralmente, e que todos os seus atos sejam condizentes com o comportamento de uma pessoa que o tempo todo acredita que algo vai dar certo.
Com este conceito, o impossível começa a ser possível, caso haja, obviamente, uma autorização maior e superior da vontade de Deus.
Por mais dedicado que sejamos nas nossas ações, a decisão final é sempre com ele, à partir, claro, das decisões que tomamos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Amizade

Nas redes sociais, 500, 1000 amigos.
Os conceitos contemporâneos de amizade estão contraditórios.
Impossível ter tantos amigos.
Amizade de verdade, daquela que se mantém ao longo dos anos, é algo cada vez mais raro, e é algo extremamente seletivo, que dificilmente se passaria de umas 10 pessoas.
Mesmo a pessoa mais altruísta e carismática do mundo, em condições humanas, seria impossível ter tanto amigos. Isso porque ela consome tempo, dedicação, disponibilidade incondicional. 
E na correria da vida contemporânea, falta tempo para conseguir se construir estes laços profundos.
É um paradoxo.
Quanto mais as rotinas do cotidiano se aceleram, menos horas restam para o cultivo e desenvolvimento dos relacionamentos. 
Nesta aceleração das coisas, tudo fica superficial, temporário. Nada é perene.
Outro ponto...
Creio que a sua comprovação exija também o fator tempo...
Fazendo-se uma associação do mesmo com a vida, este tem como característica o consumo e posterior degradação de tudo. 
Uma simples observação na natureza pode traduzir isso pelos sinais. 
A própria vida das pessoas faz parte deste ciclo de desgaste, de consumo.
A amizade, seguindo este mesmo fluxo natural, passa também por esta inevitável intempérie.
Resistir a tudo isso, e continuar sendo categorizado como verdadeiro amigo é um veredicto raro e para poucos, mas alcançável e que vale a pena.
Se no fim da vida se obtiver uma certeza destas, é sinal de que um enorme patrimônio foi construído. 
Um verdadeiro castelo, que sequer insinua ou dissimula ser de areia.
Que todos possamos ter pelo menos uma constatação positiva dessas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Observações do cotidiano

Por todos os locais que se vá hoje, o celular acompanha as pessoas.
É algo inseparável da maioria delas.
Um simples desaparecimento ou perda do mesmo causa toda uma desestruturação no cotidiano.
Para muita gente, ele é algo inseparável. 
É praticamente mais um membro do corpo.
Agregado a ele, há uma série de funcionalidades, dentre elas a câmera fotográfica, redes sociais...
Para tudo que se faz no cotidiano, há uma necessidade extrema de se tirar fotos e registrar isso.
E a mobilidade do celular propicia a aceleração desta alienação, desta paranoia.  
Pessoas estão mais preocupadas em fotografar e registrar os fatos do que propriamente viver o momento.
Há nas pessoas um comportamento obsessivo de que os outros necessitem saber o que você está fazendo. 
É como se os outros precisassem saber que você está feliz, que tem muitos amigos.
Uma necessidade enorme de compartilhar algo, que a meu ver, é extremamente irrelevante, banal e inútil.
As redes sociais são a prova disso.
Amizades virtuais aos montes, amigos incontáveis.
Pessoas que de repente se viram somente uma vez na vida já são intitulados como amigos.
Quanta futilidade.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

De volta à remota casa velha

Voltando ao sossego...
Nas paredes, retratos diversos que evocam histórias da família e conhecidos que, esporadicamente, circundavam naquele cenário.
Histórias boas que não voltam mais.
Momentos de grande felicidade e alegria, regados como uma grande dose de simplicidade.
A serpentina não existe mais.
Por várias décadas, era lá que se esquentava a água do chuveiro.
O enorme trabalho de preparo da lenha não é mais necessário.
Já não há mais força física para tanto esforço.
O café já não sai do fogão tão cedo. E, às vezes, nem sai.
O canto do galo da madrugada já não é mais o despertador.
Não é mais preciso levantar tão cedo.
A correria de outrora dá, agora, lugar aos passos mais lentos.
As longas conversas se convertem ao silêncio.
Cada vez mais se escutam os ecos de passos quase solitários pela casa, bem como dos sons da natureza.
O tempo levou não somente os anos, mas as forças físicas e, principalmente, uma pessoa muito querida, minha avó.
Mesmo depois de quase 10 anos, as paredes traduzem a ideia de que ela ainda está ali, com sua ternura e sabedoria.
O grande silêncio convida e evoca um diálogo com o tempo, com as fotos, com as paredes.
Com força e longevidade, há quase um século, meu avô passando os dias neste cenário...
Por longos anos, a mesa da cozinha ou o sofá da sala estiveram à disposição para uma boa conversa.
A calorosa receptividade sempre tornavam as idas convidativas.
Muitos parentes distantes sempre o visitaram com este simples e nobre propósito.
Longo acesso por estrada de terra, fadado às constantes intempéries, com este singelo objetivo: o encontro.
Filhos? Muitos e espalhados.
Uns próximos, outros um pouco distantes. Mas sempre presentes.
Normalmente, para as visitas de beija-flor, o recomendado é que fossem de papagaio.
A casa grande ficou ainda maior com poucas pessoas.
Por mais que não faltem as visitas, há presença da solidão.
Nas ruas, um mínimo avanço de desenvolvimento com as ruas calçadas.
Passeios de charrete ou a cavalo, no improviso, convidam sempre à cachoeira, resistente à modernidade.
O contexto evoca, inevitavelmente, ares de saudosismo.
No quintal, um imenso terreno de surpresas.
Diversidade de flora e fauna...
Com um barquinho rústico no fundo sempre disponível ao passeio pelo rio até o remanso.
Em poucos lugares, o sossego e tranquilidade se mostram tão presentes.
Neste oásis, a velocidade não faz muita questão em acelerar.
A pressa dá lugar à serenidade, e a tecnologia também não insiste muito em chegar por lá.
Voltar lá... Sempre valerá a pena...

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas,  sobretudo nos âmagos mais fechado...