quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Divagações

Há um sentimento vagando por aí...
Verbalizado nos mais extrovertidos.
Ofuscado de distintas formas, 
sobretudo nos âmagos mais fechados, 
seja na comunicação não verbal, 
ou mesmo nas sinalizações.
Invísivel aos menos observadores.
Andarilho dos espaços da mente, 
navegante de redutos abissais,
viajante da madrugada,
residente por vezes recluso.
Sentimento movido à esperança, 
capaz de apegar-se a princípios contrários,
não vislumbrados aos olhos externos.
É o desejo de vida.
A clara consciência,
de que frutos não vêm como obra do acaso,
mas como consequência da semeadura.
É a vontade de ser cada dia melhor, 
de entender que sempre podem haver novos caminhos...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Esperança

Enquanto houver chama,
ou quiçá uma centelha de fé,
múltiplas perspectivas abertas.
Na movimentação dos ponteiros,
instantes adicionais para novas oportunidades.
Pelas areias da ampulheta,
o consumo econômico dos grãos convertidos no tempo.
Em havendo energia,
a força pra lutar.
No cerne de vontades,
a possibilidade de manifestar desejos.
Em já havendo flores,
frutos a esperar.
Com a fome,
a probabilidade de se saciar.
Em meio à existência de sementes,
esperanças a plantar.
Em havendo trabalho,
colheitas a esperar.
Pela iminência de boas notícias,
novos caminhos a planejar.
Sempre que o pulso estiver correndo pelas veias,
o florescer de novas arfadas.
Enquanto existir um novo dia,
a renascença com o advento dos raios do sol.
À medida que houver vida,
a possibilidade do milagre.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Prelúdio

Uma ponte,
mesmo que vulnerável a cair nas águas,
mas que leve a outro lado do rio.
Uma carona,
na desconhecida e rústica Veraneio,
que se move pela estrada empoeirada.
Um cantinho na jangada,
que se aventura no mar.
Um espacinho,
na carroceria insegura de um caminhão,
nas chacoalhadas intermitentes de um carro de boi.
Um assento,
fragilmente selado,
no lombo de um burro.
Um passaporte,
só de ida, no horizonte desconhecido.
Uma coruja,
com asas benevolentes,
capaz de guiar pela escuridão da noite.
Uma gaivota, que sobrevoe o infinito do mar.
Um peixe, que leve pelas profundezas dos oceanos,
nos distantes redutos abissais.
Num grande desejo de partir,
o coração se apega à mínima possibilidade de fuga.
Rusticidade na origem...
Precariedade do transporte:
o meio de saída pode ser irrelevante.
Incertezas sobre as estações de parada,
no trem que percorre o caminho da ilusão.
Bem mais que planejamentos,
estruturas e formalidades para a tomada de decisões:
a vida exige é vontade, perseverança, coragem.
Tudo isso concomitante à fé.
O suporte e as condições de saída são somente uma etapa para a longa estrada de incertezas.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Recôndito

No alto da serra,
entre fontes e nascentes,
uma vivenda na simplicidade.
Rusticidade paira no ar.
Numa extensa,
simples,
e aconchegante varanda,
abrigo aos pássaros,
receptividade para visitantes.
Portões livres aos pensamentos.
Cômodos convidativos à oração.
Reflexão,
acolhimento.
As atenções são variadas:
movimentos dos pássaros,
uivos dos ventos,
neblina do horizonte.
Liberdade para arranhar acordes,
cadenciar canções,
arranhar versos.
Em substituição às exigências do ofício,
a espontaneidade.
Ponteiros do relógio giram despercebidos.
Nada de processos, metodologias...
Adaptações com o remoto garantem
funcionalidade do essencial.
Rodeado de árvores,
um ambiente de abrigo para a alma.
E no coração de um corredor,
outrora aflito e apressado,
a serenidade,
a mansidão.
O desejo de chegar antes do amanhecer,
e preceder os raios do sol não mais existem.
Aprendizados se desconcertaram.
No alto da colina,
o viajante inquieto quer mesmo é descansar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Leitura

Momentos efêmeros no dedilhar de um livro.
Como marcadores de páginas,
folhas secas.
E de alternância, flores opacas e desidratadas,
que por etéreos momentos exalaram perfume e beleza.
Nostalgia inebriada nas letras,
nos versos,
nos contos.
Em muitos momentos,
a correlação com fatos pessoais vividos ou de terceiros.
É...
A leitura pode levar-nos a caminhos literários variados.
Ideia e imaginação podem viajar,
sobretudo se impulsionadas pela meandros das letras.
Em cada página, o meticuloso ofício da interpretação.
Pelas linhas,
entrelinhas instigam apreciações subjetivas e profundas.
A compreensão de cada verso pode ser mais importante que o desfecho final de um conto.
Assim como a vida, os caminhos podem ser mais interessantes que alguns destinos.
Leitura, vitalidade para a alma.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Reavaliações

No cotidiano,
a vida exige de nós habilidades adicionais ao que imaginamos.
Demandas, 
muitas vezes emergenciais,
sobre as quais não fomos sequer capacitados.
Economias,
não somente de despesas,
mas também de palavras.
Silêncios,
segredos,
complacências,
serenidades.
Aceitam-se algumas interpretações antagônicas,
desde que isso não infrinja sua essência.
Respeito à sua natureza e valores não podem perdem a sustentação.
Nesta peregrinação por caminhos desconhecidos,
descobertas variadas de quão distantes podemos ir além do imaginado.
Daí a necessidade de,
diariamente,
reavaliarmos nossos caminhos trafegados,
sobretudo em momentos de concessões.
Instantes de consentimento podem propiciar a escolha de caminhos sem planejamento,
cujos destinos podem fluir a horizontes não imaginados,
onde não gostaríamos de chegar.
Revisões, reconsiderações...
Atitudes necessárias para o crescimento espiritual.
Disciplinas a cursar no melindroso caminho da sabedoria.
De tudo, uma percepção:
a algumas coisas,
deve-se relevar,
bem como podemos fechar os olhos.
Entretanto, a outras,
mesmo que fechemos os olhos,
não conseguiremos resignar.

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas,  sobretudo nos âmagos mais fechado...