domingo, 23 de abril de 2017

Ausências

Nos momentos de convívio, o bom relacionamento.
Período preenchido com histórias, contos, piadas, brincadeiras, passeios.
Nos reencontros, marcas de atenção se mesclam com algumas desavenças inevitáveis de quem, por dias, mantém-se ausente.
Na maior parte dos dias, a rotina é assim.
Relacionamentos sobrevivendo, por anos, com o absenteísmo físico de um dos parceiros.
A presença deste membro, costumeiramente ausente, só ocorre mesmo através dos recursos tecnológicos.
Às eventualidades emergenciais dos que permanecem em casa, a desilusão de que o ser ausente não pode ajudar.
Ao ser longínquo, um drama vivido. A impotência de, pessoalmente, poder ajudar a família. Pode-se, ao máximo, torcer e orar para que as tormentas remotas acabem logo quando de suas ocorrências.
Pelas batidas do coração de quem vai, justificativas necessárias de sobrevivência, demandas corporativas, gosto pela profissão. Outra possibilidade: a necessidade pessoal de estar ausente consigo mesmo de forma mais frequente... Há circunstâncias de todo tipo.
No âmago de quem fica, uma maneira particular de levar a vida nestas condições. E em cada um destes corações, a suposta adaptação a estas circunstâncias. Uma forma ímpar de conduzir e tocar a vida com a presença dessa ausência, paradoxalmente falando.
Ao cônjuge que permanece, a responsabilidade de cuidar de tudo em casa. Um vazio desmedido, muitas vezes não compartilhado com os filhos.
Reina o companheirismo, sem estar acompanhado.
Em havendo, porventura, crianças neste contexto, a vivência temporal das orfandades nestas.
Difícil não existir um vácuo sentimental temporário.
Vidas e vidas...
Em cada uma delas, distintas circunstâncias, dramas, inevitáveis incompletudes. E em todas elas, a presença da solidão...

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas,  sobretudo nos âmagos mais fechado...