sábado, 26 de novembro de 2016

Travessias necessárias

Nos corredores principais, sinais que as coisas não andam bem.
Muita coisa parece ter mudado.
O silêncio tenta maquiar uma falsa sensação de tranquilidade e abonança, mas não tem como.
As expressões corporais traduzem nitidamente isso.
Nervos enrijecidos.
Se olhar nos olhos então, isto fica mais evidente.
Em algumas fisionomias, a convergência para um ar de mistério.
Não se faz necessária nenhuma linguagem verbal para denotar isso.
Passar inerte nesta travessia não tem como.
Um mínimo de perspicácia deflagraria a existência de várias incógnitas.
Até mesmo a cegueira conseguiria vislumbrar muita coisa.
Nestes mesmos caminhos, com inevitáveis e eventuais pedras, o fluxo necessário da vida.
Locais em que, necessariamente, precisam-se passar após o raiar dos dias, e que não há como fugir.
Nos ombros e nas costas, o transporte das cargas.
São pesos subjetivos que, na ausência de equilíbrio e serenidade, poderiam tirar-nos a nobreza e perseverança de enfrentar as intempéries do caminhar.
Viver exige isso de nós. Sempre.

domingo, 20 de novembro de 2016

Chegadas e partidas

Ao longo do tempo, chegadas e partidas.
Vivemos de pequenas despedidas no dia a dia.
E em grandes momentos, deixamos quem amamos.
Circunstâncias do cotidiano remetem-nos a necessidade de buscar novos horizontes.
No coração, dor para quem fica e para quem parte.
Ao decorrer de percepções da vida, vem uma questão...
Em qual destes corações pulsaria mais a saudade?
Haveria elementos comparativos para, ao menos, qualificar de qual lado a balança da emoção puxaria mais?
Subjetivamente sim.
De uma maneira geral, parece que a dor seria maior com quem fica.
Pela casa, lembranças das mais variadas associações com quem partiu.
Recordações variadas de quem se foi: no quarto, num canto da sala, na cozinha, em fotos expostas na parede...
Ao que fica, o silêncio.
E com essa quietude, maiores possibilidades de diálogos com o vazio.
Em cada cômodo, um consumo da ausência.
A própria casa induziria a se pensar mais esta falta.
Por outro lado, ao que parte, a vivência com o novo ajudaria a se abstrair, um pouco mais, deste laço apartado pela distância.
No pensamento de quem foi, já daria mais elementos para se supor o que quem ficou poderia estar fazendo, posto que o cenário e rotinas do cotidiano já sejam mais conhecidos. E o contrário? Aplicar-se-ia a mesma regra? Creio que não.
A isso tudo, respostas individuais agregadas de subjetividades.
Em cada coração, uma resposta.
Somente a certeza de que sentimento não se mede, e que para a saudade, não há remédio.

Posturas e reviravoltas

Com o perpassar na vida, momentos ecoam ser preciso arriscar, navegando em águas mais profundas.
Aos novos destinos, não necessariamente lugares, mas também contextos, situações, convivências, relacionamentos...
No âmago de quem segue, uma certeza oscilante: a de que a mudança vai ser para o melhor.
Convicções destas abdicações são imaginadas em cima de um universo de incertezas.
No arranque, a asserção com algo que, não obrigatoriamente, vai se concretizar.
E o coração, no ímpeto deste afastamento, acaba se esquecendo do que está deixando para trás.
Os olhos fixos no horizonte cegam, muitas vezes, qualquer tipo de análise para uma nova abordagem.
Ignora-se uma apreciação mais abrangente, que faça ver as decisões que se esteja tomando.
A questão é que, no decorrer do cotidiano e dos fatos, o tempo mostra algo distinto ao que outrora se vislumbrava.
E aí se começa a ver que: sementes não brotaram; frutos não floresceram; raízes não sustentaram.
A poeira baixou.
A euforia se converteu em realidade.
Ao pulso, o dissabor a um novo impulso.
E para onde ir?
Nos caminhos da vida, a sinalização sugere que se chegou numa rua sem saída, e o jeito é retornar.
Mas voltar?
Como regressar, se as portas do passado foram drasticamente fechadas, sem mesmo se despedir?
(..)
Não se sabe o que o futuro nos reserva.
Devem-se fechar as portas de maneira correta.
Ações de hoje podem impactar nosso futuro.
É importante pensar nisso.
Pode ser que, em momentos como este, só tenham duas alternativas: tentar retornar para onde se saiu um dia, ou dormir, literalmente, na sarjeta.
Mesmo que brusca, uma partida, não está, necessariamente, ligada ao encerramento de um ciclo.
Estradas podem nos trazer de volta aos mesmos lugares do passado.
Páginas seguintes de um livro podem ter o mesmo conteúdo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Empenho

Na mente, o cansaço.
Ao pensamento, a dificuldade de raciocínio.
A algumas lembranças, a perda de memória.
Na musculatura, sinais de fadiga.
Às argumentações, a retórica, o verbalizar em vão.
Ao paladar, a inapetência.
Aos ecos, a dissonância mesclada com a cacofonia.
Para o descanso, a insônia.
À semeadura, a infertilidade do solo.
Aos novos caminhos, pontes interditadas.
Em movimentos alternativos, resultados inertes.
Momentos...
Redes lançadas ao mar.
Navegação em águas distantes e profundas.
Sensação, muitas vezes, de quem luta.
Circunstâncias naturais da condição humana...
Espera de fatores externos para algo começar a dar resultado.

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas, sobretudo nos âmagos mais fechados,...