quinta-feira, 28 de abril de 2016

Dons


A todos foi dada a capacidade para criar.
Cada um com os seus dons.
Por mais que algumas pessoas possam ter limitações físicas, creio que a todos é dado um dom.
Na leitura e tentativa de compreensão de atos e acontecimentos ao longo da vida, creio que existam vários meios do Senhor nos comunicar e mostrar os dons que temos e aqueles que não temos aptidão, vocação. 
Isso vai ocorrendo por meio de suas sutilezas e sinais.
A teosofia é muito superior ao nosso critério de interpretação mundano.
Dentro desta lógica, imagino que Deus não daria a ninguém um caráter de insignificância existencial: todos têm sim um valor incomensurável para ele.
Na maioria das vezes, estamos muito aquém da interpretação necessária para perceber ou mesmo traduzir o chamado ou recado dos céus.
Nossa experiência humana deve estar sempre voltada a buscar por algo melhor, a lutar sempre para, no dia seguinte, sermos melhores em tudo: aperfeiçoamento constante.
Nascemos, pois, para produzir frutos, trabalhar, inovar.
Lucas, por inspiração divina, menciona isso claramente em seu livro do Evangelho, ao falar sobre a frutificação da videira.
Mas o caminho não é nada fácil: buracos, aclives, intempéries...
Nesta travessia, estamos fadados, muitas vezes, ao ridículo, à insignificância, à incompreensão.
Se o olhar dos homens não consegue vislumbrar isso, não importa.
O que vale são os olhos do Pai, que sabe reconhecer, dada a sua onisciência, se você fez algo realmente com boa intenção ou mesmo com amor.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Crenças e curiosidades

No ano novo, recomendação de vestes brancas (é perguntar a um velho médico plantonista para identificar a efetividade deste).
Para a virada de ano, dar pulos em sete ondas… Se a maré estiver baixa, fica difícil realizar esta façanha.
Em primeiro de janeiro, grãos de romã guardados no bolso, e no cardápio, lentilha.
Ferradura, e com sete furos. Se identificar no olho mágico uma visita não agradável… É colocar a ferradura atrás da porta, e o visitante vai embora logo.
No mundo cigano, a quiromancia, com a leitura das curvas e linhas das mãos.
Por vários pontos da cidade, anúncios de búzios e tarô…
Em grandes jornais e revistas, a parte exclusiva para o Horóscopo. Nas publicações mais detalhadas, a análise do sol, planetas, combinações das constelações, enfim, uma conjunção de todo um cenário astral.
Preso na orelha, o ramo de arruda. No Rio de Janeiro, hábito super comum.
No mundo árabe, a leitura da borra do café na caneca. Há pessoas que viajam até Marrocos para saberem, antecipadamente o futuro.
Espalhados pelo país, benzedeiros aos montes.
É...
Cada um com sua fé e com suas místicas.
Respeito às crenças e individualidades.
Como existem tantas maneiras distintas de exercer a fé?
Quantas diferenças no mundo!
O mais curioso de tudo, num mundo de que se diz moderno, é que ainda vivemos sobre conceitos de farisaísmo. Os fariseus estão infiltrados no nosso cotidiano, exaltando a virtude, de forma puramente exterior… Já o coração, cheio de hipocrisia.
Difícil criar critérios de certo e errado.
Não se compete aqui julgar as pessoas, longe disso. Até porque muitas pessoas talvez não tenham tido a oportunidade de conhecer uma religião, bem como a Deus. Mas o dia que conhecerem Cristo, tudo isso mencionado perde o sentido.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Observações

Participando de grupos de discussão sobre assuntos gerais da vida, religião e relacionamentos...
Como as pessoas, no geral, têm problemas relativamente similares?
Gente com as mais distintas experiências e circunstâncias de vida...
Cada um com suas histórias e particularidades, armazenados e embaralhados num verdadeiro baú de memórias.
É...
Ninguém está livre dos problemas e incertezas da vida.
A todos é dada uma cruz a carregar, e um calvário a percorrer.
A trajetória seguida, com seus tortuosos meandros, é que muda. Além é claro, o peso transportado.
É certo que ao longo do caminho sempre nos são dadas as escolhas, mas independente da opção, o novo trecho estará contemplado, inevitavelmente, de maiores ou menores dificuldades.
Curioso é que o critério de nossas escolhas vai definindo e sendo determinante para descrever, depois de anos, nossa personalidade.
E deste olhar, reflexivo e observador do passado, parecem transcrever certas situações sobre as quais não havia como nos escapar, dadas nossas limitações humanas.
No teatro, temos o gênero da tragédia para representar isso, na medida que há uma realidade sobre a qual não podemos negar ou fugir. Trata-se de uma irrefutabilidade.
Outro ponto: a força e atitude para lidar com estas situações é algo personalíssimo.
Cada um, a seu modo, dita os rumos de maneiras variadas.
É inegável que há pessoas que têm mais a capacidade de silenciar nos seus problemas.
Como tem gente que consegue manifestar nobreza e equilíbrio nas extremas adversidades!
Como alguns corações, cercados de um ambiente inóspito e hostil, conseguem ainda criarem terreno propício para, metaforicamente, deixar nascer a flor de Lótus.
Nas minhas percepções, acredito que, pessoas que tenham mais serenidade e calma para lidar com as turbulências, acabem conseguindo se sobressaírem melhor com os empecilhos da vida.
Dessa forma, desespero, raiva, ignorância e comportamentos afins não resolvem muita coisa a médio ou longo prazo.

sábado, 9 de abril de 2016

Abissal

O ato de viver reserva-nos constantes surpresas.  
A deflagração de mentiras e seus personagens é algo que, ao longo do tempo, todos vão passar de alguma maneira: direta ou indiretamente.
Com frequência também, presenciam-se situações similares na vida de outras pessoas. É conviver com os outros para se perceber isso.
De maneira geral, isso tudo é algo que faz parte de nossa condição humana.
Mas, e após a queda das máscaras?
A evidência legítima dos fatos não necessariamente é absorvida como consumado ou verídico para muitos.
Verdades escancaradas nem sempre são aceitas.
Um ponto de dúvida surge: que conveniência haveria para acreditarem?
Sem respostas...   
Há um universo de crenças no inacreditável.
O curioso é que não se trata aqui de espiritualidade. Ou mesmo altruísmo ou perdão (que são comportamentos humanamente nobres).
Dificilmente, Nelson Rodrigues ou Freud conseguiriam darem pareceres literários em suas respectivas abordagens, consoantes as suas linhas de interpretação.
Eles não, mas acredito que Pascal sim: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".
A mente humana é algo nebulosamente envolta de mistério.
Nela reside um emaranhado de subjetividades que só mesmo quem vive é que poderia racionalizar aquilo que, para o olhar externo, é visto como algo puramente emocional.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Aurora


Nos arredores, um ambiente favorável à reflexão.
Como numa orquestra, os instrumentos em sintonia e em locais adequados cadenciam harmonia.
Um jogo sinestésico de detalhes auxiliam à criatividade.
Odores de cafeína exalam no ambiente, consoante ao café moído e passado na hora.
No fogão à lenha, os estalos da madeira que vai se queimando.
O calor vindo da cozinha anuncia que o pão de queijo está pronto: acabou de sair no forno.
O paladar faz um convite à nobre degustação.
A noite começa a dar sinais de que já está começando partir.
O galo já cantou na madrugada.
Da varanda, pequenos sinais da serração encobrindo o longo horizonte.
No jardim, a grama mostra sinais do orvalho.
A insônia permitiu que o meu raiar do dia fosse mais temprano.
Silêncio e paz dominam o ambiente.
A aurora chegando: mais um dia, com lutas e muito trabalho sob a luz do sol.
Nos mínimos detalhes e na simplicidade, a manifestação e presença do Senhor.
Pelos caminhos a percorrer, a certeza da companhia do Supremo.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Percepções

Depois de um tempo, após acertos e enganos, um pouco de aprendizado se tira da vida.
É um mínimo de conhecimento, que até pode ser utilizado em situações similares, caso venham a acontecer.
Apesar disso, e independentemente dos fatos, algumas lições aprendidas conseguem nos colocar mais aptos a novos desafios.
Mesmo assim, a experiência não te torna invulnerável de fatos novos, sobre os quais estamos fadados, em alguns casos, a quedas consideráveis.
Aprende-se que, a calma e concentração devem ser ingredientes imprescindíveis para o banquete da vida.
A velocidade acelerada nem sempre é a melhor alternativa.
O caminho pode ser mais contemplativo se estivermos desacelerados.
Com o fator serenidade ao nosso lado, tornamo-nos mais suscetíveis a analisar e compreender melhor os problemas e desafios que o viver nos reserva ou outros que, mesmo inconscientemente, criamos para nós.
Quantas vezes no passado, a precipitação e ansiedade foram determinantes para colocar mais pedras no pedregoso caminho que percorremos?
Quantos erros poderiam ser evitados se a tranquilidade estivesse presente?
Caminhamos muitos trechos na vida, de nuances e características bem distintas uns dos outros.
Estratégias da travessia devem ser analisadas conforme o perfil e particularidades de cada trecho e terreno...
E esta capacidade de análise, cheia de sutilezas e armadilhas, não é com pressa, nervosismo, tempestividade e agitação que se vai perceber.

sábado, 2 de abril de 2016

Estrutura Social

Nossa história de formação está diretamente ligada aos conceitos de nobreza, aristocracia.
Tivemos inclusive um rei vivendo em terras tupiniquins.
Nas ruas, praças, avenidas e logradouros afins...
Nomes de famílias influentes, que em determinado momento tiverem algum tipo de hegemonia política, financeira...
Em São Luís, estado do Maranhão, isso chega ao extremo do absurdo com a oligarquia.
Salvo raríssimos e excepcionais casos, vemos os principais pontos públicos nomeados por gente mais simples ou de menor condição social.
Aos terceiros, ruas que poucos conheçam: algo irrelevante.
O critério maior para a publicação destes nomes é puramente vinculado à influência política, aliás é o próprio legislativo que aprova isso.
Por várias maneiras, e nos mais distintos focos de análise, observa-se que não há democracia se seguirmos critérios rígidos de observação.
A liberdade que nos é dada, sobre a qual se fundamenta a igualdade de direitos, reside sobre questões nas quais teríamos poderes. Porém estes não mudariam as estruturas de poder que hoje existem.
Ao se receber parte(ínfima) dos direitos, transcende-se a ideia que temos o todo.
É um jogo sutil de ideias que poucos percebem.
O Carnaval é um bom exemplo disso: sinônimo de liberdade. Aliás, a arbitrariedade com o que cada um faz da sua vida pouco importa para os detentores do poder.
No mundo político, o conceito do foro privilegiado quebra completamente a ideia mínima de direitos iguais.
Diante destas observações, acredito que a melhor tradução para fundamentar nossa verdadeira estrutura política e social seja a de uma sociedade por castas, mesmo que, teoricamente, os livros de história e geografia continuem afirmando que aqui exista uma democracia de fato.

Caminho

Momentos de enorme dependência de terceiros.
Espera por ações e fatores externos que fogem da nossa mínima capacidade de iniciativa.
Circunstâncias da vida em que, humanamente, não há o que fazer.
No cinema, a metáfora poderia ter o mesmo nome de um filme com Tom Hanks: ‘A espera de um milagre’. Somente se mudaria, naturalmente, o roteiro.
Muitos vivem isso: situação inevitável de inércia.
O que é problema para você, e muitas vezes não somente te tira o sono, mas também te consome ao longo do dia, pode ser extremamente sem sentido aos outros.
Nas pessoas coadjuvantes desta história, uma completa indiferença e falta de comprometimento com seu drama ou suas necessidades.
Por mais que se fale ou se verbalize sobre isso com tais pessoas, o esforço é em vão.
Detalhe: somos o protagonista desta história.
Buscando-se uma referência à mitologia grega, seria algo próximo ao Mito de Sísifo.
No tabuleiro de xadrez da vida, a inviabilidade de dar um lance.
É estar com sede defronte ao mar.
E o que fazer então?
Ações externas não existem, mas internas sim: momento de aquietar o coração.
Hora da entrega completa nas mãos do Senhor Supremo.

Outono

Ao olhar pela janela, o horizonte anuncia a chegada da noite.
No ciclo da natureza, algumas árvores já traduzem sinais do tempo.
A queda das folhas anuncia que o outono chegou.
Coadjuvante nesta história, o vento começa a acelerar a etapa da queda de folhas.
Período de renovação da vida.
Caducifólias manifestam, explicitamente, um momento de recomeço.
Nos parques, tapetes naturais de folhas secas.
Chuvas, outrora torrenciais, desparecem ,convertendo-se em dias secos e amenos.
O outono chegou.
Mais um dia de lutas se foi.
Entardeceu.
Os sons do dia se convertem no silêncio da noite.
Sinos da catedral ecoam e avisam sobre o começo da madrugada.
O ruído dos ventos orquestra a sinfonia da vida.
A brisa invade a sala sem bater, trazendo o frio consigo.
Na chegada, o vinho sobre a mesa começa o diálogo com a vida.
O sereno sugere que se feche a janela.
Em parte, cerra-se a percepção dos olhos na sala.
Com a penumbra, novos horizontes agora se abrem.
Mudam-se seus focos.
O olhar fica introspectivo.
A visão evade o espaço e o tempo.
O Malbec vira o combustível.
Desembarca-se no mundo das ideias e pensamentos.

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas,  sobretudo nos âmagos mais fechado...