quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Campinas - Bondinhos

Traço marcante na história Campinas.
A cidade teve, por um bom e considerável tempo, este como o principal meio de transporte de massa, sobretudo para fazer o deslocamento entre os seus principais bairros.
Suas ramificações permitiam aos moradores irem por vários pontos da cidade.
Em uma de suas linhas (supostamente a mais longa), poderia se ir, por exemplo, até o distante bairro de Joaquim Egídio.
Detalhe: se muitos acham esta região distante, imagine ainda mais há quase meio século, deslocando-se até lá a uma velocidade bem menor.
Neste ponto final, existe hoje um prédio antigo restaurado, levando aos usuários desta linha no passado a um caminho maginário aos tempos idos de outrora, eivado de lembranças  peculiares e individuais das mais variadas conotações e sentimentos.
Carros nesta época? 
Poucos... Isso era privilégio de famílias mais nobres. Luxo da aristocracia campineira (além de alguns emergentes burgueses).
Trânsito? Não era algo a se preocupar...Enfim, nada que se compare com hoje: congestionamento, caos...
Aos eventuais, alternativos e factíveis concorrentes do sistema de transportes, poderia mencionar as charretes, os cavalos ... Quiçá algumas motos, dependendo da década de observação.
Em 68, os bondinhos encerraram suas operações na cidade. Supostamente, já sendo influenciado pelo advento enorme de caminhões e ônibus que naquele momento já estavam sendo fabricados há quase dez anos, iniciados anteriormente pela era JK.
Extinguir os bondinhos e abrir-se ao novo, dava às cidades um tom de vanguarda.
A cultura pertinente da época era simplesmente abraçar o novo, extinguindo (às vezes até drasticamente em alguns casos) o passado.
A extinção apagou os bondes da visão, mas não da memória.
Aos moradores mais antigos, saudosismo de uns, nostalgia de outros.
Histórias dos antigos não faltam.
Cada um, por suas experiências e fatos vividos tem o que relatar.
Hoje, ainda há um resquício do passado.
No Taquaral, ainda é possível dar voltas neste veículo coletivo das antigas nos fins de semana.
Trata-se de um pequeno trecho turístico que, normalmente, tem longas filas de entusiastas.
Publico interessado? Todas as faixas etárias, desde idosos até pais que querem mostrar a seus filhos o bondinho pela primeira vez.
Pensar num passado, na era dos bondes, com todos os seus moradores vestidos em trajes típicos e condizentes com a época, é imaginar um período supostamente mais tranquilo que hoje.
Acredito que a evasão do tempo e espaço façam as pessoas, normalmente, a pensarem de forma ingênua num período bem melhor que hoje: menos pressa, menos velocidade, mais tempo para conversas...
Uma vida mais feliz e com mais simplicidade...
E depois de uma reflexão ilusória do passado, o inconsciente parece querer acreditar que não se trata somente de uma miragem, que a época não vivida deve sim, ter sido melhor...

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas,  sobretudo nos âmagos mais fechado...