quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sementes

Na juventude, o trabalho de plantio.
No coração jovem, o impulso e energia propulsores para enfrentar, com coragem e resiliência, a estrada desconhecida do mundo.
A esperança e convicção, muitas vezes ingênua, de um determinismo com nossos atos...
Nos ventos, o sopro e cheiro de uma nova estação no horizonte.
No solo, o cuidado meticuloso e, quase sempre inexperiente, com a terra.
Normalmente, o desconhecimento do local em que se planta é a maior realidade.
Nem sempre há tempo de planejamento ou de conhecimento do terreno.
Jogam-se mais sementes ao vento que na terra.
Na semeadura, a crença cega no nascimento, formação das raízes e posterior colheita dos frutos.
E nos solos da vida, a fertilidade não encontra hospitalidade.
Muitos ciclos se passam e a estação esperada nem sempre chega ou manda recado.
As experiências amadurecem mais propriamente que os frutos.
A capacitação e a habilidade florescem de maneira tardia, mais pelos erros que acertos.
Viver é assim.
Entender que tudo isso tem um propósito...
É a única forma de obter respostas para uma série de questionamentos não respondidos.
Só de poder lançar novas sementes já é uma dádiva.
Infertilidades de alguns terrenos não podem nos impedir de lançarmos as mesmas em novos horizontes.

Dúvidas

O tempo tem uma capacidade enorme de fazer as pessoas reverem e mudarem seus conceitos.
Quão grande e surpreendente ele acaba sendo.
Quantas reviravoltas.
É ir vivendo e observando fatos e indivíduos para perceber estas metamorfoses.
Acredito ser natural, à maioria das pessoas quando bem jovens, questionar algumas posturas de seus educadores, sobretudo as dos pais.
Isso é algo inevitável, posto que todos, de alguma forma, são diferentes e têm suas identidades.
A incongruência de pensamentos nem sempre consegue fluir para um caminho de convergência de ideias, ao consenso.
Em certos casos, por questões puramente de dificuldades e turbulências no relacionamento diário, muitos acabam até saindo de casa.
Abster se de casa não está necessariamente associado a fatores emancipativos, investimentos pessoais, estudos...
Pode ser algo simplesmente relacional.
Assim, pessoas que antes moravam juntos, tornam se meros vizinhos e visitantes casuais.
É...
Anos passam, e certos valores vão paulatinamente modificando o olhar das pessoas e suas respectivas personalidades.
De forma gradativa e metafórica, permutam se as lentes e seus graus.
Os focos são mudados.
Fadados às constantes intempéries da vida, bem como aos reflexos de frequentes escolhas, o ser humano vai sendo remodelado.
De tudo isso vem algo inusitado e curioso que somente o fator tempo consegue mostrar, com o decorrer dos anos: em muitas situações e atitudes nossas - que outrora foram causas de brigas e desavenças por ações de nossos pais - repetimos os mesmos procedimentos.
Como pode o passado ter causado, em algumas circunstâncias, tanto desconforto e incompreensão em nós?
E como podemos hoje ter atitudes exatamente semelhantes?
Achamos sim que mudamos?
Verbalizamos isso de muitas maneiras, mas de certa forma, parece que tornamos os mesmos passos que nossos pais.
Porque as pessoas repetem estes comportamentos?
Nossas maiores mudanças seriam para nos tornar iguais a eles?
O que cada um concluiria disso pela reflexão dos anos?
Que seus pais realmente teriam razão ou que elas são, relativamente, as mesmas?

sábado, 19 de dezembro de 2015

Sobre escrever

Nas palavras, o passaporte rumo à viagem do infinito.
Escrever é um ato concreto de manifestação de liberdade, de pensamento...
Nas ideias embaralhadas, como num jogo de cartas da vida, a possibilidade de refletir melhor sobre as regras, e os próximos lances a serem feitos.
Ao ato da escrita reflexiva, abre se a capacidade de navegar por muitos destinos.
É o início de um diálogo consigo mesmo.
Pontos de vista destoantes da mente manifestam suas observações, com o objetivo de convergir as ideias por meio das palavras.
O exercício contínuo e constante destas reflexões - materializado entre as letras - permite a criação de um fluxo menos desarmônico e mais sereno de nossas ações no cotidiano.
Assim como um rio, que flui por seus meandros, a escrita consegue rearranjar melhor nossas ações e nossos rumos, possibilitando-nos uma cautela e paciência maiores para lidar com as inevitáveis adversidades e tempestividades da vida.
Ao longo do tempo, assuntos e temáticas similares poderão ser recorrentes. Aliás, não temo como fugir disso.
O curioso disso é que, mesmo sendo nós, o autor de dois ou mais textos sobre uma mesma questão, escritos em momentos distintos de nossa vida, podemos dar interpretações ou mesmo veredictos bem descorrelacionados entre os mesmos.
Isso tende a ser algo super natural, ao longo desta trajetória e atividade literária.
Se considerarmos que, como gente, estamos sempre mudando, bem como fadados às surpresas da vida, a erros, desacertos... É normal que isso nos mova a reavaliar sempre nossos conceitos e interpretações perante muitos temas, o que poderia se refletir no que se escreve.
Que numa eventual comparação futura destas recorrências, possa chegar à conclusão, pela extração do sentido das letras, de que houve um crescimento como pessoa, sobretudo do ponto de vista humano, fraterno e de compreensão da vida.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Tempo das missivas

No mundo atual, a troca de mensagens vem de uma forma muito imediata.
As demandas atuais exigem respostas instantâneas, e o email pode não atender a esta rapidez necessária para o mundo corporativo.
Seguindo um fluxo tecnológico inevitável, o email esta, inclusive, fadado à obsolescência.
Mas, e antigamente, antes mesmo deste surto tecnológico do final dos anos 80?
Como se comunicavam as pessoas?
Eis a carta, ou missiva, conforme os lusitanos.
As gerações mais jovens nem conhecem direito isso. Não vivenciaram diretamente todo o ritual que se passava no envio e recebimento de uma mensagem.
Ao carteiro, responsável pela entrega, o transporte das notícias, dos sentimentos.
O atraso do envio, natural e típico das épocas, nem sempre trazia a notícia precisa dos acontecimentos.
O momento de escrita dos fatos, em que os sentimentos se permeavam nas letras e se convertiam no texto, criava todo um contexto lírico e sentimental. 
Depositado nas palavras, estava o coração.
Um romantismo enorme, que fazia vislumbrar no futuro como seria a reação de quem iria ler, ao receber a missiva.
Era como se o tempo e os fatos fossem parar até o recebimento da mesma. 
Havia sim, esta singela ilusão, que na prática não ocorria, posto que a vida não pára.
Muitos acontecimentos transcorriam nesses entremeios, e o coração de quem abria a carta já não tinha a realidade dos fatos, mas os relatos do passado.
E em função dessa falta de sincronismo que o rio fluía.
À chegada da mesma, vivia-se - nos instantes antecedentes de sua abertura - uma expectativa, uma emoção. Sobretudo na vida dos que tinham neste meio de comunicação o porta-voz da notícia.
Era assim, nesse ritual, que passos, embora lentos, caminhavam.
Hoje, isso pode parecer estranho com a pressa e imediatismo da sociedade, em que as demandas e entregas do trabalho são sempre pra ontem.
Acredito que, no passado, as pessoas sabiam viver e lidar melhor com o tempo, com a espera.
Embora o atraso das notícias e das informações fosse algo típico e inevitável, a vida se ajeitava melhor.
Apesar da lentidão, nada parava por conta disso.
Problemas e dificuldades existiam assim como hoje, mas em outros contextos e projeções.
Porém, havia um melhor encadeamento da vida.
Menos depressão. 
Mais felicidade, momentos para reflexão, para conversas ...
Havia, pois, mais tempo para tudo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sobre o Natal

Na televisão, nos shoppings, nas lojas: propaganda por todos os lados.
Comerciais cada vez mais sofisticados anunciam: o Natal está chegando.
Neste período, temos o ápice do consumismo.
Como um estímulo adicional às compras, o 13°. Mesmo que, em parte, já esteja comprometido pela maioria das pessoas, ele ajuda no comércio.
É, comercialmente, a melhor época do ano.
Muitos concentram seus ganhos especificamente neste período.
O foco no mercado e nas vendas é o que prevalece.
O ato de não presentear pode se tornar até mesmo algo constrangedor.
Há todo um trabalho sutil do marketing, induzindo as pessoas de variadas formas a consumir.
A própria imagem do Papai Noel está associada ao ato de dar e receber presentes: é o símbolo do período.
Os grandes grupos comerciais e/ou grandes redes deveriam reservar um espaço para mostrar também o Tio Patinhas, que é quem traduz a verdadeira essência da época: acúmulo desmedido de riqueza.
Em contrapartida a tudo isso...
Se analisarmos este tempo sob um olhar teológico, mais especificamente cristão, estamos no período do advento. Algo que não pode jamais ser associado a este consumismo desvairado cujo protagonista é o “bom velhinho”.
A data comemorativa que celebra o nascimento de Jesus, concebido no ventre da Virgem por graça e mistério do Espírito Santo, acaba ficando em segundo plano.
Nos canais de televisão, somente as redes de segmento cristão é que abordam esta temática de forma condizente.
Que despertemos o olhar para um novo foco, oposto ao materialismo.
Estamos diante de um ótimo momento para rever nossos valores, questionando os se estão condizentes com a mensagem deixada por Jesus.
Podemos sempre mudar o curso de nossa história por meio de atitudes cristãs. Podemos, pois, ter uma vida nova.
Que a celebração do Natal possa fazer nascer, concomitantemente em cada de nós, uma pessoa mais humana, solidária e fraterna.

Conclusões parciais

Andando pelas ruas...
Muito tempo se passou...
Muitas vidas que se foram, seguindo os inevitáveis meandros da vida.
Às vezes calma, nos remansos, nas planícies.
Ora variavelmente tensa, assim como as correntezas.
Ou ainda abrupta, nas quedas e cachoeiras.
Casas antigas que não mais existem, edificações emergindo sem critérios urbanísticos e ambientais.
Não há preocupações com acessibilidade.
PCDs? Ainda não se pensou neles.
O olhar externo, nessa arquitetura às avessas, é um ingrediente considerável para traduzir o caos da vida.
Nas ruas, um andar introspectivo: mais perguntas que respostas.
Sons externos não são suficientes para sobrepor aos ecos do pensamento.
Difícil haver espaços para a razão.
Um amontoado de histórias lançados na mente foram se armazenando, criando um verdadeiro baú de memórias.
Algumas atiradas na mente de forma sutil, outras de forma abrupta ou mesmo imperativas.
Nas árvores, já não corre a seiva.
Laços afetivos – sustentados por fatores sanguíneos – completamente desintegrados.
Elos fictícios não resistiram ao fator tempo, o qual se prontificou de formalizar em vida a existência de muitos personagens.
Máscaras, que se sustentaram por décadas, não têm mais poder de persuadir, de dissimular.
Atores do teatro da vida sem demandas para novos serviços.
Na velha árvore, sinais das intempéries das relações e tradução da fragilidade humana, da indiferença e concomitantemente, da resistência.
No horizonte, há paralelamente, o símbolo da continuidade e metamorfose da vida.
Uma nova semente brotou do trabalho e se edificou: reflexos de novas portas que se abriram, num cenário em que outras, mesmo em atos evidentes de covardia, foram se fechando.
Numa alusão à observação dos sinais, assim como, de maneira enaltecida e metafórica na "Parábola da Videira", vem o pensamento pela análise dos fatos com o transcorrer dos anos:
Como o tempo pode parar para muita gente?
Como ele pode consumir lhes intensamente, fazendo lhes, nos seus constantes desacertos, inebriarem se do próprio veneno?
Quão frágeis e superficiais podem ser algumas relações!
É ...
Pessoas têm uma incomensurável capacidade de sempre nos surpreender, sobretudo aquelas que já estiveram perto de nós, pois estas podem nos fazer achar (por um tempo) que conhecemos algo delas.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Correrias

No mundo da velocidade e da pressa, tudo deve ter uma resposta imediata.
Os prazos são sempre apertados.
Por mais que se trabalhe, ficamos sempre com a sensação que pouco, ou mesmo nada foi feito.
Em contrapartida, a ideia do ócio, criada pela civilização grega - na qual estaria residente a principal e estimuladora fonte de imaginação, pensamento e criação - é vista como um absurdo por muita gente. Sobretudo nos processos produtivos de massa.
Este conceito foi muito atacado no advento e apogeu da cultura americana. Estendo-se, naturalmente, na maioria das empresas até o presente.
Uma frase muito difundida e que se tornou clássica foi a do “time is money”. Uma associação clara de que tempo é dinheiro. Desperdício de horas jamais.
Na época de difusão destes princípios, houve inclusive muitas críticas a este controle exagerado e excessivo do tempo.
No cinema, Chaplin aborda bem esta situação, em “Tempos Modernos”.
A questão é que o tempo se passou bastante, cerca de um século, e estamos cada vez mais acelerados. Num vício frenético.
Para atender a demandas cada vez mais exigentes e rápidas, perde-se o espaço para reflexão e análises mais detalhadas de possíveis consequências de nossas ações, inclusive para nossa vida.
Reflexos desta aceleração desmedida são perceptíveis a todo o momento: um festival de erros, falhas e retrabalhos constantes. Algo que poderia ser evitado se houvesse uma avaliação prévia e mais criteriosa do todo.
Diante disso, creio que as pessoas estejam partindo para um mundo em que se erre bem mais que os já inevitáveis descompassos que cometeríamos pela vida para nosso aprendizado.
As pessoas estão sendo submetidas a uma situação de impotência, que as coloca mais vulneráveis que o convencional.
Há um agravante adicional constante e intermitente: o medo de perder o emprego.
Estamos diante de um verdadeiro drama coletivo, um fenômeno geral, que não fica só no mundo do trabalho, mas se estende também para o eixo familiar, contaminando a todos.
Outra consequência: a necessidade do ócio, tão divulgada na sociedade contemporânea por Domênico de Masi, não encontra espaço e condições adequadas para se fazer algo novo.
O tempo e a energia, que deveriam ser canalizadas para este fim, são consumidos para outros propósitos e finalidades.
Bom, estar conscientes desta situação já é um bom caminho, embora inicial, para se sobreviver a esta constante turbulência.
A racionalização dessa situação ajuda você a entender que a questão não é puramente um fato isolado, especificamente com alguém, mas algo mais coletivo.
É algo que não deve se mudar, sobretudo no curto prazo.
Logo, o ideal: tentar adaptar-se ao contexto.
Com o tempo, vai-se percebendo que não são somente fatores técnicos os elementos suficientes para este este guia de sobrevivência.
O segredo está nas sutilezas e nuances da realidade.
Para tal, é imprescindível ser o mais observador e cauteloso possível.
Uma pitada de serenidade e concentração podem ser bons ingredientes para se traduzir a realidade, e perceber as subjetividades e entrelinhas que nos acercam.
Com esta análise criteriosa, podemos, naturalmente, tomar ações menos propícias aos erros, neste mundo da correria e exigência de pressa na tomada de constantes decisões.

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas,  sobretudo nos âmagos mais fechado...