segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Orfandades

No dicionário, um significado associado à falta de pai e mãe.
Apesar disso, o conceito da orfandade pode ser mais amplo, vindo a manifestar-se em nossa vida de várias maneiras, sem necessariamente ter perdido os pais.
Em vários momentos do cotidiano, podemos viver esta sensação.
Uma completa falta de apoio, de segurança. Uma completa evasão de todos os sentidos. Enfim, de algo a que se apegar.
É como estar numa ilha, sem qualquer acesso ao continente... Nenhuma ponte, barco ou jangada na qual se possa remar.
Muitos dizem bastante nesse mundo de teorias e conceitos - que na prática diária não se evidenciam - que há sempre um caminho, uma alternativa... Mas no sentido da orfandade há uma completa letargia. Um vazio total.
A única ação a se tomar seria ficar à espera de um fator externo significativo. É algo que não depende mais de você.
Sensações diárias e similares a isso se vive por um dia, ou numa extensão maior, por muitos anos.
O tempo passa a não ser controlado pelos ponteiros, mas pelas batidas do coração.
Horas podem ganhar uma dimensão de anos, conforme a intensidade dos sentidos, dos sentimentos.
São casos assim:
·         Filhos que, diariamente, ausentam-se dos seus pais. Quando há um apego enorme da criança, esta carência diária pode se tornar algo maior. Sobretudo se a criança for muito nova, e não saber lidar e compreender tudo isso.
·         A ansiedade de uma criança quando os pais, por uma eventualidade da vida, não os buscam no devido horário ao fim do dia. Todos os coleguinhas vão sendo levados... E ela continua na espera, sem resposta. Neste caso, minutos de angústia podem se transformar numa eternidade.
·         A mãe que, ao raiar do dia, não tem notícias de um filho que saiu na noite anterior. Ou há dias, semanas.
·         O vício de alguém da família, que se encarcerou no submundo das drogas e todos os métodos e tratamentos já foram, em vão, realizados. Diante disso, todos veem a pessoa definhando, morrendo aos poucos.
·         A doença de uma pessoa muito querida, no qual a moléstia consome o paciente de forma abrupta, e os tratamentos médicos não geram resultados efetivos, pois é algo degenerativo.
·         Casais em que um dos cônjuges é um prisioneiro.
·         Filhos de pais encarcerados.
·         (...)
Cada um, dentro de sua vida, creio que viva isso em momentos
distintos da vida.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Pensamentos

Viver é navegar constantemente numa estrada de incertezas. É sim, um mistério.
Por mais que se consiga evitar algumas armadilhas devido a observações e experiências já vividas, haverá sempre o novo, que pode te tornar extremamente vulnerável aos erros e enganos.
Com o tempo, começamos a entender que a vida não vai te dar todas as respostas, nem mesmo que se viva longos anos...
A longevidade não é fator de explicação de tudo.
Ao invés de se dizer que já se viu de tudo, é melhor verbalizar que já se viu muitas coisas.
O tempo não necessariamente vai curar todas as feridas. e está longe de ser o senhor da razão, conforme ditado popular.
Aliás, nem consensos da sabedoria popular traduzem realmente todos os fatos.
Normalmente, o que se tem é uma alienação coletiva.
Para a maior parte das pessoas, é mais fácil - conveniente e pouco trabalhoso - pensar ou agir como a maioria, levados sutilmente pela indução da mídia e movimentos controladores de massa.
Bom, independentemente disso, sempre viveremos com a busca de respostas, que nem sequer nos sugiram algo...
Viveremos, inevitavelmente, situações que, ás vezes, temos uma completa falta de sentidos...
Uma profunda anestesia, etimologicamente falando. Nenhum jogo sinestésico de ideias ou sugestões: eco, fumaça, cheiro...
Noutra abordagem mais material eu diria: momentos em que até uma bússola se perderia.
Enfim, nenhum instrumento que nos dê um caminho..,
E neste cenário, um universo repleto de porquês.
Diante disso, a única forma de aceitação do inexplicável pode ser depositada na crença de que há um propósito maior para nós, perante o olhar do Criador.
Racionalizar e tentar viver este conceito já ajuda bastante, diante do universo de interrogações e questionamentos que sempre é comum do ser humano fazer.
Outras questões...
Pessoas podem sair da sua vida sem necessariamente ter partido...
Se à partida não for deixada uma mínima semente de saudade, é porque o relacionamento era extremamente desnecessário e dispensável.
Transcorridos certos acontecimentos com indivíduos que, outrora foram próximos, o melhor convívio é o abster-se. A melhor conversa é o silêncio.
Depois de um tempo, somente um amor forte pode manter e justificar o vínculo entre as pessoas, uma vez que a convivência está sujeita a erros, decepções...  
A prática ou mesmo tentativa de ações mais humanas nem sempre são determinantes para resolver problemas diários e recorrentes, porém são capazes de gradativamente trazer a paz interior.
Nem todos têm a oportunidade de comprar uma cama de ouro. Isso nem deve ser uma meta: é algo fútil. A verdadeira riqueza está na serenidade do sono, e a paz da madrugada, num momento em que o silêncio do dia faz ecoar os sons internos e contestações da consciência.
Às nossas ações, por mais determinadas e criteriosas que sejam, nem sempre estarão fadadas ao sucesso, mas o caminhar dos passos é sim necessário, mesmo que em muitos casos a derrota seja algo inevitável. A consciência disso não pode ser fator de nos deixar imobilizados.
Se o fracasso for resultante de ações que, embora perdendo lutamos com dignidade, acredito que exista ai uma vitória, mesmo que seja a do dever cumprido. 
Só o fato de nos ser dada a vida com saúde e mãos dispostas a lutar já é sim um componente positivo para mantermos nossa jornada.
Um dos segredos de se evitar a decepção é não criar expectativas. 
Não se deve esperar tanto das pessoas e do mundo...
Não podemos pedir a Deus por coisas que nós, primeiramente, devemos fazer...
Antes de pedir que Ele nos dê o peixe, precisamos lançar as redes em locais devidos.
Por fim... o que não se pode deixar de ter: coragem e de sempre querer buscar o melhor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Visões superficiais

Em vários momentos da vida, devemos, de alguma forma, dar uma opinião sobre fatos que nos circundam no cotidiano.
São acontecimentos das mais variadas situações sobre os quais o nosso olhar, muitas vezes externo, deve interpretar e dar um veredicto dos fatos.
De um modo até mesmo sutil, somos submetidos constantemente a esta condição de juízes do improviso, do imediato. Esta arbitrariedade imposta pode, ainda, mudar os rumos de nossa história, no qual pagamos por escolhas que nem sequer queríamos fazer.
É o tribunal da vida.
Para que tomemos nossas ações, por mais cautela que exista, temos, na maioria dos casos, visões muito superficiais para se ter uma avaliação precisa da realidade.
Ainda tem outro agravante: talvez até por uma forma inconsciente, é comum que avaliemos os outros pela maneira que pensamos, sobre nossa óptica do mundo.
Não há, pois, elementos suficientes e criteriosos para se decidir.
A consequência imediata destas análises de um todo somente com o olhar da parte superior do iceberg gera o óbvio: um festival inevitável de erros em detrimento aos acertos.
Por mais que tenhamos o livre arbítrio, tomamos decisões erradas e desumanas, mesmo que a intenção, às vezes, não seja esta.
Creio que a fonte disso tudo resida numa característica da qual nós humanos estamos privados: a onisciência.
Somos, pois, limitados.
Para ter este olhar além do horizonte somente há um caminho: com a intercessão do Espírito Santo.
Somente ele tem o dom da Ciência, esta iluminação divina que tem completa visão de todos os olhares que acercam uma realidade. É infalível.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Desígnio

O propósito de Deus para cada um de nós é algo bem difícil de analisar se colocarmos o mesmo sob uma óptica de nosso mundo.
Não é nada racional.
É algo extremamente misterioso.
Na vida, construímos laços afetivos por meio do convívio diário, sobretudo com pessoas mais próximas: pais, esposa, irmãos, filha...
À medida que conheçamos mais as pessoas e as aceitemos como são, sentimentos fortes de amizade e amor tendem a crescer e se tornarem cada vez mais intensos.
Se estes laços forem também de sangue, acredito que haja ainda um ingrediente adicional neste grande universo de sentimentos.
Bom, isso é até natural que ocorra. Faz parte dos frutos que a convivência sadia e sincera vai lançando no cotidiano, por meio das sementes lançadas.
É normal também que surjam daí sentimentos de apego. Um enorme desejo de não perder estas pessoas tão queridas, e a vontade de estar sempre próximo delas.
Diante de tudo isso, vem o desejo do Supremo, que tenhamos por Ele um amor bem superior a tudo o que exista na Terra.
Algo extraordinariamente além do incomensurável sentimento humano.
Esta passagem bíblica está presente na história de Abraão, quando sob o pedido de Deus, seu filho Isaac deveria ser sacrificado.
Trata-se de um exemplo de manifestação do amor a Deus, superior ao enorme sentimento pelo filho. E de fé extrema, no qual o mesmo acreditava que havia um desígnio maior do Senhor para ele.
Parece um paradoxo...
A nós é dada a possibilidade de amar infinitamente as pessoas, mas em algum momento vamos perder tudo isso, pois elas simplesmente partirão da nossa vida.
Além disso, de alguma forma ou em algum momento, talvez tenhamos que decidir sobre algo maior: se nosso amor infinito reside nos céus ou na terra.
A ideia do livre arbítrio que nos foi concedida talvez seja justamente para testar até onde chegamos no nosso limite, e também para mostrarmos ao Supremo, por meio de nossas escolhas, o que para nós é o mais importante.

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas, sobretudo nos âmagos mais fechados,...