segunda-feira, 25 de maio de 2015

Campinas - Andando pelo Centro

Chego de manhã no terminal de ônibus, depois de sair de casa bem cedo, enfrentar um bom tempo no ônibus. Inúmeras paradas para o sobe e desce de passageiros.
Finalmente, estou na região central de Campinas.
Neste novo dia que se inicia, olho pro relógio. É bem cedo.
No comércio, algumas portas começam a se abrir...
Nas padarias e lanchonetes, já abertas, um movimento considerável de pessoas tomando café ... uns meio apressados, outros mais sossegados, com condições de analisar o movimento das pessoas.
No cardápio, o que mais se consome: de bebida: café e pingado; para comer: pão na chapa e principalmente pão de queijo.
De todas das cidades que já conheci, nenhum lugar come tanto pão de queijo quanto aqui. Talvez pela praticidade para quem vende (dado a industrialização deste produto). E pelo preço para quem compra. Combinado, naturalmente, com o paladar... ele é disparado o produto mais consumido na cidade para quem toma café na rua.
Pelas manhãs, é muito comum se perceber nos apressados levando um pacotinho. Com um, dois, três...
O corre corre é para a maioria, mas nem todos estão neste ritmo frenético, estes vão as padarias como um ritual, com tempo para conversar com pessoas conhecidas, ler um jornal, conversar com os balconistas... Nestes casos, o café é um mero pretexto para a socialização.
No centro, posso citar com certeza vários pontos em que isso é perceptível.
Andando pelas ruas, vou notando o movimento das pessoas... As bancas de jornal, já abertas bem cedinho, sempre param os curiosos com as notícias do dia. A leitura é bem superficial, somente nas manchetes e nos curtos fragmentos que algumas matérias deixam. A relação entre os que param nas bancas e efetivamente compram um jornal é quase insignificante. Nos sinais, e, provavelmente, de olho neste perfil de leitores de manchetes ou de temas bem superficiais, jornaleiros distribuem jornais gratuitamente.
Acredito que em cidades maiores, haja até mais grupos atuando nesta linha, em que o faturamento dos grupos de comunicação está associado ao marketing feito nestes periódicos.
No trânsito, a correria e caos de sempre, com os motoboys sempre achando que a pressa é só deles, e a prioridade também. Colocam em risco a vida de todo mundo, sem nenhuma prudência.
Em pontos estratégicos das esquinas, sempre um amarelinho, à espera iminente de um vacilo dos condutores para aplicar suas multas, de caráter único e exclusivamente educacional... Pelo menos é o que dizem.
Na porta de empresas de recrutamento, um drama coletivo cada vez maior, filas e filas em busca de nova oportunidade. No CPAT então...
Na catedral, um movimento contínuo de entrada de pessoas... Muitas vão buscar forças do alto para a batalha diária da vida... outros, num ritual religioso e de fé vão para a missa matinal, outros para o terço e outros, simplesmente para adorar o Santíssimo e/ou venerar Nossa Senhora da Conceição.
Na 13 de maio, gente que já levantou bem mais cedo que eu, com seu comércio itinerante e livre na rua. A maioria, peruanos e bolivianos... um tanto que receosos para uma conversa mais detalhada, devido a suposta ilegalidade no país. O tempo de permanência destes ambulantes vai ao limite do permitido pela SETEC... Até os últimos instantes permitidos fica a esperança de vender para os apressados que passam pela rua.
De tudo isso, posso dizer, a vida começa bem corrida na cidade. E na maior parte dos casos, a pressa é perceptível.
É o medo de perder algo que está sendo segurado por um fio, é o eficiente transporte que mais uma vez atrasou e este atraso deva ser compensado com passos mais largos...
Com tanta pressa, não tem nem como ter espaço pra reflexão, é um ritmo frenético imposto pela vida, que simplesmente diz às pessoas bem cedo: "Levanta e vai".
As pessoas vão, e sabe-se lá como vão.
Na conversa dos cafés, um tema genérico são os problemas cada vez maiores. É um pessimismo generalizado e crescente. A sensação negativa é facilmente notada, mas algo curioso vem de tudo isso.
E daí vem uma pergunta? Se tá tão difícil e adverso assim, por que as pessoas, na sua maioria, não param? Como este negativismo não paralisa?
Creio que o motivo seja uma esperança coletiva, muito supostamente até mesmo inconsciente, que muitas vezes não é nem mesmo verbalizada ou sentida pelas pessoas, mas com força suficiente para nos empurrar pra frente. Num momento em que já nem sequer temos noção se há energia e força. Num momento de total fadiga mental.
Uma energia mínima que nos faz lutar por mais um dia. 

Um impulso maior, da vida, capaz de não nos deixar que fiquemos parados, mesmo que as condições externas sejam adversas, hostis...
Cada um, dentro de suas experiências de vida, pode manifestar esse empurrão de várias formas.
É o impulso de Deus que nos move, que nos faz ter fé que algo de melhor possa acontecer, mesmo que nos arredores não haja nada dando sinais disso.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sentimentos positivos

Ter fé é algo necessário e extremamente imprescindível na nossa vida.
Fundamentalmente, ela não requer que tenhamos elementos favoráveis para que ela se torne realidade.
Imagino uma vida sem este ingrediente: um vazio completo, um mar de descrenças. 
Encontrar-se num estágio como esse na vida... Creio que já seja estar morto, mesmo com o sangue correndo pelas veias. Algo forte e determinante o suficiente para jogar uma pessoa num completo estágio de letargia. 
Na literatura, esta corrente de céticos tem se mostrado presente ao longo de, praticamente, todos os escritos dos quais se têm registro.
Iniciando-se pela Bíblia, temos o livro das Lamentações, ainda no Antigo Testamento, que já abordava esta temática. 
Os Salmos, em alguns momentos, também tratam isso, posto que descrevam também sentimentos tipicamente humanos.
No período do Romantismo, segunda fase, temos o Mal do Século.
Já no final do século XIX e início do século XX, temos os niilistas. Em paralelo e, de certa forma concomitante, haviam os positivistas. Acreditavam que tudo deveria ser provado pela ciência, algo extremamente oposto ao conceito de fé. 
Bom... Estes são somente alguns exemplos. 
O lirismo, eivado da descrença, assume manifestações das mais distintas formas.
Desapegar-se destes pensamentos negativos... 
É o que todo indivíduo deveria procurar, a todo custo, por mais que o mundo possa tentar, intermitentemente, provar-nos o contrário. 
É preciso acreditar... 
Isso não significa tomar o caminho da ingenuidade.
Devemos sonhar...
Mergulhar na magia de que somos sim capazes de conseguir algo, mesmo que nossa condição de humanos nos limite em alguns aspectos.
Este sentimento otimista deve estar presente na nossa mente. 
Ele é o combustível que sustenta-nos constantemente de energia, dando-nos suporte para enfrentar as adversidades e perdas inevitáveis ao longo da caminhada.
Nutrir o coração de esperanças...
Forma de tornar-nos vivos e confiantes de que algo pode ser sim possível, alcançável.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Livros de Autoajuda

Compreender, explicar e viver a vida em plenitude: algo não muito fácil.
Inebriar-se no desconhecido do futuro, onde existam mistérios e incertezas quanto ao simples minuto seguinte que viveremos. 
Isso pode se tornar algo complicado para quem não tem fé.
Para muitos, a busca incansável e disciplinada por objetivos das mais diversas formas é sempre a garantia plena e convicta de sucesso. E é nesse segmento de mercado que o mundo editorial atua, o nicho de Autoajuda
De olho em quem quer comprar a ideia do sucesso, inúmeros livros surgem a todo momento. 
Incontáveis publicações vêm com receita completa. Uma verdadeira panaceia que vai resolver todos os problemas e que trará também prosperidade. 
Muitos se tornam famosos e rentáveis best-sellers.
Livros que possuem um conteúdo bem articulado de ideias e com um ritual determinístico que, se seguido fielmente, trará o resultado que cada pessoa almeja, sonha e/ou aspira para sua vida.Isso é algo muito bem trabalhado e explorado pelo mercado editorial.  Entretanto, toda esta ideologia e corrente de pensamento não pode comprovar o êxito, efetivamente, na vida dos que estão buscando este sucesso a todo preço. 
Se a meta não foi alcançada já se tem até a justificativa (dos escritores) de que o esforço não foi obtido porque ainda não houve uma dedicação tão exclusiva e disciplinada que se esperava de certa situação.
A temática destes livros omite de forma clara muitos fatores que estão, intrinsecamente, ligados a nossa condição humana. 
Assumir que, por sermos humanos, estamos a todo o momento sujeito a erros, falhas, imperfeições é algo que não é abordado jamais nestes livros. 
Dizer que somos limitados perante Deus jamais pode ser mencionado. 
Falar sobre isso compromete a venda de produtos neste segmento, principalmente os que são mais céticos por natureza. E a ideia do mercado editorial não é essa. É simplesmente, vender.
Numa abordagem ainda mais a fundo, na vida mesmo dos que escrevem os livros fica a ideia... 
Será que esta metodologia de vitória está presente na vida dos mesmos?  
Conseguiriam estes autores converter toda esta linha de pensamento em algo concreto nas suas vidas pessoais, famílias, etc. ? 
Acho que não.
A questão é que a teoria é muito mais fácil que a prática.
A luta pela vida deve ser feita a todo o momento. 
Vida é trabalho, esforço, dedicação, alegrias, sofrimentos, derrotas, decepções ... 
Acreditar que podemos alcançar algo é necessário sempre. 
E é o que nos motiva a sempre dar um passo adiante rumo ao desconhecido. 
Porém, só não se pode esquecer que a perfeição plena é algo somente pertencente a Deus. 
Não somos deuses. 
Toda garra e engajamento que dispusermos sobre nossos sonhos e metas, e estes sim são imprescindíveis para o êxito, têm um limite até aonde podemos ir. 
Dali em diante somente Deus pode decidir.
Precisamos, pois, de Deus, para realizarmos o que queremos nesta vida. 
Somente depois de fazermos a nossa parte, indo nos limites de nossas ações com todo nosso esforço, é que ele pode sim decidir se somos merecedores. 
A última ação é Dele.

Campinas - Mercado Municipal

Este sim tem história para contar.
Projetado por Ramos de Azevedo, arquiteto da cidade e que depois se destacou com maior grandiosidade em São Paulo, o Mercado Municipal é um interessante local para conhecer um pouco mais da história de Campinas. 
É uma enciclopédia viva.
O mercado possui uma diversidade de comércios e segmentos. Uma imensa quantidade de produtos bem variados num só local. 
De uma forma geral, pode se encontrar praticamente de tudo considerado popular.
Além da sua estrutura física interna com seus boxes divididos, a área externa também se integra ao mesmo de forma harmônica. Isso pode ser observado externamente nas bancas de verduras, temperos, flores, frutas, etc. Alguns destes comércios mantêm uma forma de vender seus produtos assim como há décadas passadas. 
Em algumas situações muito específicas, é como se a forma de comercializar, bem como os produtos vendidos, estivessem parados no tempo. 
E põe tempo nisso!
No segmento de tabacaria, destaque especial para a banca que vende fumo de corda: um hábito que atravessou gerações, e o canivete antigo também. Ambos faziam parte de um ritual antigo em que meu avô preparava seu cigarro de palha em paralelo com as conversar e casos que ia contando da vida. Lá também se acha o rapé, produto cada vez mais raro. Tudo isso faz lembrar bastante a época em que o ritmo das coisas era mais devagar, sem a pressa de hoje.
No comércio de especiarias, é possível encontrar temperos para boa parte das receitas gastronômicas de hoje. É um local excelente para pessoal que busca ingredientes um tanto que raros para o preparo de pratos, doces, carnes...
Para quem busca a cura de doenças por meio da fitoterapia, pode ir numa banca que vende uma vasta lista de plantas medicinais.  Na mesma banca, pode ser obtida gratuitamente uma lista de indicações entre os principais problemas de saúde das pessoas correlacionados com as plantas que seriam recomendadas para o respectivo tratamento.
Aos que gostam de pescaria, há entre 2 ou 3 bancas em que se podem encontrar produtos relacionados com a pesca.
As pessoas que gostam de usar chapéu têm disponíveis uma loja em que há uma variedade enorme de produtos. Em Campinas, lembro-me somente de outras duas ou três lojas que vendiam produtos similares, mas isso não é no mercado.
Diferentes tipos de pimenta têm endereço numa banca, que praticamente vende somente este tipo de produto. Neste caso, praticamente se acham as mais conhecidas e famosas do mundo, como Habanero, Jalapeña, Bhut Jolokia,  além é claro das nacionais: Dedo de Moça, Murupi, Malagueta, Biquinho, Cambuci...
Bancas com produtos japoneses e coreanos estão presentes também, cada uma delas representando seus típicos e respectivos produtos.
No mercado de carnes, encontra-se praticamente de tudo: peixes, aves,  suínos, bovinos etc.
Além dos já citados, há muitíssimos outros que aumentariam, e muito, a lista de opções que o mercado oferece: sucos, laticínios, queijos, doces, pamonhas, salgados...
Mais que citar as opções que o mercado oferece, o interessante mesmo é ir conhecê-lo. Isso para quem ainda não foi. 
E aos que já foram um dia, recomendo que voltem para uma nova visita. 
Acho que vale a pena.
É mais uma oportunidade para os que queiram conhecer melhor a cidade de Campinas.

Falando da Vida

2015: ano que já começou, e pequena parte deste já foi consumida. Carnaval já ficou para trás. A vida não pára. O relógio pode até parar, visto que tem bateria, mas a vida não.
No horizonte deste ano, um cenário de incertezas por diversas formas: problemas de falta d’água, inflação aumentando, desemprego crescente, dólar e gasolina nas alturas ...
O que se percebe nas pessoas é uma notável apreensão quanto ao que nos reserva este ano. A mídia fala disso por meio de seus mais distintos canais de comunicação. A descrença no governo, na economia, na segurança pública ... Enfim, o pessimismo está muito grande.
E diante disso muitos questionam. O que será deste ano?
Problemas para todo lado!
É preciso entender que ele é parte de nossa vida. Seja ontem, seja hoje, eles sempre existiram. Ele é um personagem coadjuvante na vida da maioria das pessoas, e dependendo de uma situação mais crítica, ele pode vir a se tornar o protagonista. Cabe a nós não deixarmos que o mesmo se torne o personagem principal de nossa vida, lutando contra isso a todo momento.
Se compararmos as crises pelas quais passaram a humanidade há 20, 30, 50 anos ... Haverá, naturalmente, mudanças e aspectos distintos relacionados a ele, como tecnologia, hábitos e culturas específicos de cada geração. Porém, agora ou antes, a essência não mudou: dor, sofrimento, decepção... De alguma forma estes componentes estavam presentes nas vidas das pessoas.
Problemas mudam somente de lugar, de tempo, de circunstância, de endereço.
Agora sob o ponto de vista otimista, creio que eles existam para que cresçamos como pessoas.
São nos problemas que estão as grandes oportunidades. Foi à partir deles que as melhorias e avanços da humanidade vieram. Se tudo fosse perfeito desde o início não haveria nenhum fator que motivasse a mudança.
A condição humana para evoluirmos como pessoas está, inevitavelmente, ligada a nossa forma de encarar os problemas.
A complexidade de alguns deles exige até mesmo mais cautela e análise prévia para lidarmos com os mesmos, antes que tomemos as medidas para saná-los.
Mesmo que não consigamos resolver todos, devemos estar sempre aptos e dispostos a resolvê-los.
Vida é luta!
Dessa forma, mais que tentar entender o que vem neste ano de fatos determinantes na nossa vida, é preciso tentar entender algo maior, que é  a vida, com seus mistérios, entrelinhas, desafios, oportunidades etc...
Entender como lidar com cada problema, e como ser tolerante com as coisas que, infelizmente, não conseguimos mudar. Desistir jamais. Lutar sempre.

Paternidade

Forma surpreendente de manifestação de amor.
A cada instante, um ato comovente e emocionante da criança.
Num universo de pureza e sinceridade delas, presenciamos a todo o momento, gestos de ternura e carinho.
O fato de não ter se envolvido ainda plenamente com o mundo, com suas relações sociais e todas as suas armadilhas, dissimulações, coloca as mesmas num patamar superior ao nosso. É algo espiritual e divino.
Há, sem dúvida, um universo perfeitamente harmônico entre elas e Deus.
Esta percepção é visível nos pequenos gestos que vemos, ao conviver diariamente com elas.
Esta energia é irradiante, e nos influencia positivamente.
Na condição de pai, sentimos a necessidade de ser melhores...
A responsabilidade de dar exemplos bons com nossos atos faz-nos crescer espiritualmente também.
Creio que somente com um comportamento condizente ao que ensinamos é que a educação dada a elas seja mais efetiva.
Isso não é nada fácil.
Algo bem árduo de se alcançar, e que torna mais complexo à medida que estivermos mais envolvidos com as coisas do mundo. Mundo este que é competitivo, interesseiro, traiçoeiro.
A paternidade tem algo mágico, que nos induz a tentar resgatar no coração este sentimento que, na maioria das pessoas, já se perdeu.
Em outros, essa sensação pode vir de outras formas, podendo ser algo que nem mesmo se pensou ou verbalizou, justamente por não se ter vivido este contexto.
Ainda em outras distintas circunstâncias, essa sensação pode surgir na vida de outrem que, dadas suas experiências de vida, jamais se imaginou que isso pudesse existir.
Inebriar-se no universo da paternidade e usufruir de todas as possibilidades divinas que o contexto e momento nos oferecem: algo sem medida.
Há muitas sensações intrínsecas que somente compreendemos quando também somos pais.
O pensamento nos leva a evadir no tempo, e voltar no universo e cenário de nossa infância, em momentos da imaginação que ficaram vagos, remotos e escondidos na infância, a ponto de imaginarmos o amor que nos foi dado por nossos pais, com sua disponibilidade infinita de dedicação para suportar, no silêncio, inúmeras noites de sono mal dormidas, privações das mais distintas formas...

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas, sobretudo nos âmagos mais fechados,...