quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Divagações

Há um sentimento vagando por aí...
Verbalizado nos mais extrovertidos.
Ofuscado de distintas formas,
sobretudo nos âmagos mais fechados,
seja na comunicação não verbal,
ou mesmo nas sinalizações.
Invísivel aos menos observadores.
Andarilho dos espaços da mente,
navegante de redutos abissais,
viajante da madrugada,
residente por vezes recluso.
Sentimento movido à esperança,
capaz de apegar-se a princípios contrários,
não vislumbrados aos olhos externos.
É o desejo de vida.
A clara consciência,
de que frutos não vêm como obra do acaso,
mas como consequência da semeadura.
É a vontade de ser cada dia melhor,
de entender que sempre podem haver novos caminhos...

sábado, 16 de setembro de 2017

Desejos

Desejos...
De andar sobre as águas.
De encontrar a flor de lótus,
nos pântanos da vida.
De traduzir mais entrelinhas.
De perdoar mais,
não só aos outros, 
mas a mim mesmo.
De partilhar da ceia,
ainda que com as migalhas caídas na mesa.
De saber o exato local de assentar-me,
ao fundo da festa.
De saber a hora da renovação.
De ter a humildade de reconhecer as falhas. 
De acreditar mais.
E ter uma coragem desprovida de razão, 
muitas vezes insana aos olhos do mundo, 
para dar passos nos caminhos sombrios,
mas necessários e inevitáveis para o crescimento. 
 
 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Esperança

Enquanto houver chama,
ou quiçá uma centelha de fé,
múltiplas perspectivas abertas.
Na movimentação dos ponteiros,
instantes adicionais para novas oportunidades.
Pelas areias da ampulheta,
o consumo econômico dos grãos convertidos no tempo.
Em havendo energia,
a força pra lutar.
No cerne de vontades,
a possibilidade de manifestar desejos.
Em já havendo flores,
frutos a esperar.
Com a fome,
a probabilidade de se saciar.
Em meio à existência de sementes,
esperanças a plantar.
Em havendo trabalho,
colheitas a esperar.
Pela iminência de boas notícias,
novos caminhos a planejar.
Sempre que o pulso estiver correndo pelas veias,
o florescer de novas arfadas.
Enquanto existir um novo dia,
a renascença com o advento dos raios do sol.
À medida que houver vida,
a possibilidade do milagre.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Prelúdio

Uma ponte,
mesmo que vulnerável a cair nas águas,
mas que leve a outro lado do rio.
Uma carona,
que se move pela estrada empoeirada,
na desconhecida e rústica Veraneio.
Um cantinho na jangada,
que se aventura no mar.
Um espacinho,
na carroceria insegura de um caminhão,
ou quiçá,
nas chacoalhadas intermitentes de um carro de boi.
Um assento,
fragilmente selado,
no lombo de um burro.
Um passaporte,
só de ida,
no horizonte desconhecido.
Uma coruja,
com asas benevolentes,
capaz de guiar pela escuridão da noite.
Uma gaivota,
que sobrevoe o infinito do mar,
e que conduza a uma nova cidade.
Um peixe,
que leve pelas profundezas dos oceanos,
nos distantes redutos abissais.
Rusticidade na origem,
precariedade do transporte...
Meios e variadas circunstâncias para evadir.
Num grande desejo de partir,
o coração se apega à mínima possibilidade de fuga.
Independente da forma de saída,
sempre existirão incertezas sobre as novas estações de parada,
neste trem que percorre o caminho da ilusão.
Depois de um tempo,
dificuldades no contexto da saída pode se tornar até irrelevantes,
posto que exigências da vida são constantes.
Mesmo que alguém possa ter sido beneficiado nas suas primeiras partidas,
pessoas sempre terão que desenvolver novas habilidades.
Na musicalidade da vida,
sempre exigirão novos repertórios, novos acordes.
Cada regente deverá desempenhar novas maestrias.  

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Recôndito

No alto da serra,
entre fontes e nascentes,
uma vivenda na simplicidade.
Rusticidade paira no ar.
Numa extensa,
simples,
e aconchegante varanda,
abrigo aos pássaros,
receptividade para visitantes.
Portões livres aos pensamentos.
Cômodos convidativos à oração.
Reflexão,
acolhimento.
As atenções são variadas:
movimentos dos pássaros,
uivos dos ventos,
neblina do horizonte.
Liberdade para arranhar acordes,
cadenciar canções,
arranhar versos.
Em substituição às exigências do ofício,
a espontaneidade.
Ponteiros do relógio giram despercebidos.
Nada de processos, metodologias...
Adaptações com o remoto garantem
funcionalidade do essencial.
Rodeado de árvores,
um ambiente de abrigo para a alma.
E no coração de um corredor,
outrora aflito e apressado,
a serenidade,
a mansidão.
O desejo de chegar antes do amanhecer,
e preceder os raios do sol não mais existem.
Aprendizados se desconcertaram.
No alto da colina,
o viajante inquieto quer mesmo é descansar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Leitura

Momentos efêmeros no dedilhar de um livro.
Como marcadores de páginas,
folhas secas.
E de alternância, flores opacas e desidratadas,
que por etéreos momentos exalaram perfume e beleza.
Nostalgia inebriada nas letras,
nos versos,
nos contos.
Em muitos momentos,
a correlação com fatos pessoais vividos ou de terceiros.
É...
A leitura pode levar-nos a caminhos literários variados.
Ideia e imaginação podem viajar,
sobretudo se impulsionadas pela meandros das letras.
Em cada página, o meticuloso ofício da interpretação.
Pelas linhas,
entrelinhas instigam apreciações subjetivas e profundas.
A compreensão de cada verso pode ser mais importante que o desfecho final de um conto.
Assim como a vida, os caminhos podem ser mais interessantes que alguns destinos.
Leitura, vitalidade para a alma.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Reavaliações

No cotidiano,
a vida exige de nós habilidades adicionais ao que imaginamos.
Demandas, 
muitas vezes emergenciais,
sobre as quais não fomos sequer capacitados.
Economias,
não somente de despesas,
mas também de palavras.
Silêncios,
segredos,
complacências,
serenidades.
Aceitam-se algumas interpretações antagônicas,
desde que isso não infrinja sua essência.
Respeito à sua natureza e valores não podem perdem a sustentação.
Nesta peregrinação por caminhos desconhecidos,
descobertas variadas de quão distantes podemos ir além do imaginado.
Daí a necessidade de,
diariamente,
reavaliarmos nossos caminhos trafegados,
sobretudo em momentos de concessões.
Instantes de consentimento podem propiciar a escolha de caminhos sem planejamento,
cujos destinos podem fluir a horizontes não imaginados,
onde não gostaríamos de chegar.
Revisões, reconsiderações...
Atitudes necessárias para o crescimento espiritual.
Disciplinas a cursar no melindroso caminho da sabedoria.
De tudo, uma percepção:
a algumas coisas,
deve-se relevar,
bem como podemos fechar os olhos.
Entretanto, a outras,
mesmo que fechemos os olhos,
não conseguiremos resignar.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Terço e seus mistérios

No início,
resistência,
comodismo,
desconhecimento.
Mesmo assim,
já ao final do primeiro dia de oração me grupo,
a leveza de espírito pode ser notada,
os efeitos na pulsação são perceptíveis.
Como num procedimento de semeadura,
resultados vão surgindo aos poucos.
Folhas e frutos,
assim como tudo na vida,
requerem tempo para o corolário,
período de crescimento e fortalecimento das raízes.
No exercício da oração em grupo,
a luz dos céus vai penetrando sutilmente,
chegando às profundezas da alma.
O coração,
como uma terra sedenta recebendo a água da chuva,
é preenchido intensamente pelo Espírito Santo.
Depois de pouco tempo,
pequenas mudanças de hábitos.
O que era somente um terço semanal,
agora tem uma frequência maior ao longo dos dias.
E o Rosário,
que antes ficava somente em casa,
passa a ser levado no bolso em todos os lugares,
não somente reservado aos momentos de oração.
Trabalho, ambientes variados do cotidiano...
Por todos os lados o terço me acompanha.
No coração, uma fé que só aumenta a cada dia.
Sentimentos de leveza,
amadurecimento espiritual.
Aumento da intimidade com Maria e seu Filho: piedade.
Em circunstâncias variadas,
o sentimento de acolhimento,
tal como uma criança correndo aos braços de uma mãe.
Nos momentos difíceis,
a crença na intercessão de Nossa Senhora aos céus,
com a mediação junto à Santíssima Trindade.
Mudança na forma de lidar com os fatos inexplicáveis da vida:
mais serenidade e aceitação.
Incrementam-se a percepção e o entendimento maior de que a tudo exista um propósito maior,
e quão pequenos somos diante das forças e projetos do Pai.
Lágrimas ganham maior nobreza.
Dores perdem intensidade perante uma anestesia espiritual.
Ao longo dos cinco mistérios,
súplicas vão ganhando outra notoriedade,
e ao que antes eram pedidos mais pessoais,
agora se transformam numa prece mais fraterna.
Exorta-se mais para os outros.
No coração, na parte fria e mais fechada,
o gelo começa a ter um processo de derretimento,
e um despojamento e abertura vão se formando.
Inimigos e pedras do caminho,
antes motivos de raiva e fúria,
tornam-se pequenos,
e passam a estar inclusos nas intenções...
Nas críticas e julgamentos alheios,
um novo olhar,
agora de misericórdia.
...
Nossa Senhora,
vós que conheceis nossas misérias e fraquezas da alma,
mantenha-nos perseverantes,
intercedendo por todos nós.

sábado, 29 de julho de 2017

Entusiasmo

No vasto céu do sertão,
um coração aberto às estrelas.
Pensamentos evasivos.
Pelo clarão da madrugada,
estrelas parecem se aproximar.
Voando como um pássaro,
reflexões buscam a nova estação.
Desejoso de novo caminho,
o coração anseia novos direcionamentos.
Contendas, reflexões...
Pudessem os pés caminhar sempre por trilhas corretas.
Pudessem os olhos enxergar verdades nas obscuras entrelinhas.
Pudessem as asas voarem sem se atreverem aos riscos.
Pudesse o barco descer o rio sem enfrentar corredeiras.
Pudesse o coração amar sem se ferir.
Pudesse o aprendizado não ser fruto do esforço, da dor.
Pudesse mesmo?
Que sentido teria a vida?
Por que motivo existiria a luta?
Que sabor teria a vitória?
De que valeriam as conquistas?
Que razões teriam as pessoas para melhorem?

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Acolhida

Dificuldades à volta...

Na observação dos fatos,

ainda que tentando pensar calmamente,

o sangue pulsa mais acelerado,

e os contratempos se manifestam de várias maneiras.

Nervosismo, tensão...

Assumindo diferentes nuances,

inconveniências se apresentam nos arredores em cadeia.

No quebra cabeças da vida,

os objetos/peças não se encaixam.

Num contexto musical,

o regente está desconexo com a orquestra,

e movimentos variados do maestro não conseguem cadenciar harmonia.

De maneira geral,

o caos se estabeleceu.

Em qualquer atitude supostamente significativa,

um resultado inerte.

Na ação humana, a indolência.

No âmago do ser,

a situação de exiguidade atribula os sentimentos,

e o coração começa a manifestar sensações variadas.

O que fazer?

Pensamentos associados à desolação e impotência afloram na mente.

No coração,

a percepção de quão limitados somos em algumas situações.

Na humildade e escassez de ações,

a súplica aos céus.

Momento de orar.

No vazio do quarto,

as mãos dedilham o terço,

mistérios e súplicas a Nossa Senhora.

Através do Rosário, mudam-se os focos.

Com a perspectiva divina,

começa-se a perceber que novas alternativas aparecem.

Como uma criança correndo ao colo de sua mãe,

jogo-me nas súplicas à Maria,

a intercessora dos céus.

Por meio desta ação mediadora junto ao Pai,

muda-se o cenário.

O coração já não mais se sente abandonado, à deriva, órfão: nada disso.

De braços abertos e singelos,

a acolhida me envolve.

No frio e desolação da noite,

a sua receptividade e hospitalidade me envolvem.

Como um agasalho na gélida e atribulada madrugada,

o colo da mãe aquece meu coração.

Nos batimentos,

uma pulsação mais serena.

E o mundo?

E os fatos?

Tudo fica em segundo plano.

Visões do mundo começam a desvanecer.

Como uma névoa invadindo a realidade,

problemas começam a perder o sentido.

Olhos singelos da mãe de Deus me guardam na paz dos seus confortantes braços.

Salve Rainha.

Sob sua proteção sempre haverá alternativas,

sempre haverá um novo caminho,

sempre existirá uma sensação confortante.

domingo, 23 de julho de 2017

Condicionamentos

No cais do porto,
um barco se prende a uma frágil corda.
Acostumado a pesadas âncoras do passado,
sequer imagina o que lhe sustenta:
uma corda bem enfraquecida.
Diferente do recorrente passado,
não se está mais preso como outrora.
A realidade desta barcaça pode mudar,
e esta mudança pode estar por um fio.
Porém, maior que a força física,
há uma inércia mental herdada,
um espólio cheio de preceitos obsoletos.
Pelos arredores,
indicações variadas avisam a possibilidade de mudança.
Muitos aspectos estão até explícitos demais,
mas a cegueira ofusca qualquer observação.
No baú de memórias,
ainda como fruto do presente grego da herança,
o enraizado condicionamento.
Na sinalização do tempo,
e iminência de novas tempestades,
o uivo dos ventos nem sequer consegue mandar seu recado.
Os próprios ouvidos não ousam escutar algo fora do convencional.
Ecos proferidos em vão.
(...)
A liberdade pode estar muito próxima,
não precisa haver sempre uma tormenta para a mudança dos fatos.
Uma leve brisa pode desestabilizar as volúveis estruturas.
A maior barreira está, em muitos casos, na amarração de velhos conceitos.
Na simples transformação do modo de olhar,
a possibilidade de grandes passos.
(...)
Estar atentos aos sinais nas cercanias;
atentar-se ao que se passa nos arredores;
escutar os ruídos do tempo;
abrir-se a novas ideias...
Componentes de auxílio para ver que circunstâncias podem sim tomarem uma linha nova.

Divagações

Há um sentimento vagando por aí... Verbalizado nos mais extrovertidos. Ofuscado de distintas formas, sobretudo nos âmagos mais fechados,...