quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Beija flor

Peço ao beija flor,
que entre pelo sertão...
Que com as gotas do orvalho,
renovação de cada aurora,
leve meu manifesto da saudade.
Sentimento enorme,
intensificado pela distância,
materializado em clamor.
Afeição que derrama lágrimas,
capaz de salgar o meu sorriso.
Voe logo ao destino,
são muitas serras e vertentes até lá.
A varanda da casa velha há de te acolher.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Verdades

Verdades...

Explicações, fundamentos estruturados, fluxo lógico de palavras...

A arte da persuasão tem mecanismos dos mais variados para, literalmente, convencer as pessoas.

Figuras de linguagem: comparações, alegorias, metáforas, anacolutos...

Recursos linguísticos e afins...

Focados num objetivo, o jogo de ideias pode tomar nuances das mais variadas.

Conhecimento do assunto, do destinatário, de articulações: nestes residem os elementos técnicos.

Ao comunicador, o papel de um regente das palavras, cadenciando todos os componentes, e de uma forma bem estruturada.

Criar conceitos e factoides não é tão simples, sobretudo se a intenção for produzir raízes, sementes...

E nesta dinâmica, muitas vezes as mentiras se dirigem ao interlocutor ultrajadas de meias verdades, inebriadas de sentimentalismos...

No destinatário, possibilidades variadas: sentir-se convencido já de imediato, desconfiar ou mesmo não crer em nada...

Seu convencimento pode encontrar resistências nas ideologias. E esta pode estar condicionada por fatores como: nível intelectual, conveniência, interesses próprios.

A todo o momento, estamos inebriados de informações...

Onde estará a verdade que nos é passada?

Que credibilidade devemos dar ao que ouvimos e lemos?

Neste universo de articulações e sutilezas da comunicação, escritores/políticos/charlatões têm muito mais conhecimento de nós do que se possa imaginar.

Neurolinguística, psicologia social, filosofia: valem-se de tudo.

A verdade, hoje, está muito nebulosa e encapsulada de interesses.

Cada vez mais está difícil escutar os ecos da entrelinhas.

A essência ficou praticamente emudecida e invisível, já que uma grande máscara a reveste.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Instabilidade

Viver por um fio...

Por muitas vezes, a sensação de que o coração e os fatos nos dão são essas.

Sentimento de trafegar na fronteira de dois mundos.

Oscilações, intermitentes...

Equilíbrio instável, num cenário de acontecimentos que, continuamente, trazem-nos novas interpretações.

Previsões, esperanças, devaneios, conjecturas...

Confluência de pensamentos conscientes, inconscientes, sonhos...

A vivência de muitos fatos, num curto espaço de tempo, faz-nos precipitar conclusões futuras.

E no cotidiano, muitas vezes a vida para, inclusive, mediante estas previsões.

Vive-se uma sensação tensa: a de que, baseados nos sinais do tempo, os elementos determinantes para os fatos se concretização.

Cria-se uma certeza, baseada em algo que é incerto, bem como limitado a nossa condição humana, que é a ciência do minuto seguinte.

E nesta confusão das ideias, misturada com um turbilhão de instabilidades, no qual estejamos inseridos puramente no presente, faz-nos esquecer que vida não está assim só agora.

O viver não está assim agora. Ele é assim.

Suposições associadas a desfechos que insinuam se consumar nos próximos dias podem se arrastar por anos.

Iminências...

Sinais são somente conjecturas.

Por mais que fatores externos denotem algo, o futuro é e será sempre incerto.

Tempo: ingrediente emaranhado de mistério e componente da vida.

Manuscritos

Necessidade de se comunicar…

Contextos dos mais variados…

Exigência de flexibilidade e sutileza na hora de escrever, sobretudo para quem tem necessidade de se fazer entendido pelas letras.

Trabalho minucioso...

Garimpo e lápide das palavras certas.

Alegorias, figuras de estilo, simbolismos: tudo isso ajuda bastante.

Demandas adicionais à gramática.

A vírgula no lugar certo, o jogo das ideias…

Redundâncias propositais de certos termos, mas com apegos aos sinônimos: formas de ser enfático sem ser sintaticamente repetitivo.

Mesmo assim, comunicar é muito mais que isso.

Ainda que regência seja imprescindível, a regência mais importante é a da assertividade. É o se fazer entendido.

Prudência e cuidado: detalhes gramaticais, mesmo que rebuscados de formalidades e cultismos, podem se fazer desconexos em momentos em que se deve prezar pela simplicidade.

Para fazer-se compreendido, devemos ir além.

Saber mais sobre o contexto.

Com quem se está falando?

Quais são as necessidades do texto: simples, complexo, formal, irreverente, censura…

Saber o momento de voar: identificação do momento adequado para lançar palavras ao vento, filosofar…

Isso não é fácil.

O tempo todo devemos nos reinventar no esboço do texto, nesta arquitetura das letras.

A cada texto, novos ingredientes…

E liberdade para, inclusive, romper alguns padrões normativos, se a premissa da comunicação eficiente entre emissor e destinatário não estiver fluindo.

O ofício da escrita é assim.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Lonjura

Em terras distantes,
três corações pulsantes.
Desprendido por um mar de estradas,
afloram sentimentos.
Longos caminhos se tornam pequenos,
diante de tamanha saudade.
Ainda que eu quisesse,
chegar até la demandaria tempo.
Desejos de encontro no agora: inviavelmente humano.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Divagações

Há um sentimento vagando por aí...
Verbalizado nos mais extrovertidos.
Ofuscado de distintas formas,
sobretudo nos âmagos mais fechados,
seja na comunicação não verbal,
ou mesmo nas sinalizações.
Invísivel aos menos observadores.
Andarilho dos espaços da mente,
navegante de redutos abissais,
viajante da madrugada,
residente por vezes recluso.
Sentimento movido à esperança,
capaz de apegar-se a princípios contrários,
não vislumbrados aos olhos externos.
É o desejo de vida.
A clara consciência,
de que frutos não vêm como obra do acaso,
mas como consequência da semeadura.
É a vontade de ser cada dia melhor,
de entender que sempre podem haver novos caminhos...

sábado, 16 de setembro de 2017

Desejos

Desejos...
De andar sobre as águas.
De encontrar a flor de lótus,
nos pântanos da vida.
De traduzir mais entrelinhas.
De perdoar mais,
não só aos outros, 
mas a mim mesmo.
De partilhar da ceia,
ainda que com as migalhas caídas na mesa.
De saber o exato local de assentar-me,
ao fundo da festa.
De saber a hora da renovação.
De ter a humildade de reconhecer as falhas. 
De acreditar mais.
E ter uma coragem desprovida de razão, 
muitas vezes insana aos olhos do mundo, 
para dar passos nos caminhos sombrios,
mas necessários e inevitáveis para o crescimento. 
 
 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Esperança

Enquanto houver chama,
ou quiçá uma centelha de fé,
múltiplas perspectivas abertas.
Na movimentação dos ponteiros,
instantes adicionais para novas oportunidades.
Pelas areias da ampulheta,
o consumo econômico dos grãos convertidos no tempo.
Em havendo energia,
a força pra lutar.
No cerne de vontades,
a possibilidade de manifestar desejos.
Em já havendo flores,
frutos a esperar.
Com a fome,
a probabilidade de se saciar.
Em meio à existência de sementes,
esperanças a plantar.
Em havendo trabalho,
colheitas a esperar.
Pela iminência de boas notícias,
novos caminhos a planejar.
Sempre que o pulso estiver correndo pelas veias,
o florescer de novas arfadas.
Enquanto existir um novo dia,
a renascença com o advento dos raios do sol.
À medida que houver vida,
a possibilidade do milagre.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Prelúdio

Uma ponte,
mesmo que vulnerável a cair nas águas,
mas que leve a outro lado do rio.
Uma carona,
que se move pela estrada empoeirada,
na desconhecida e rústica Veraneio.
Um cantinho na jangada,
que se aventura no mar.
Um espacinho,
na carroceria insegura de um caminhão,
ou quiçá,
nas chacoalhadas intermitentes de um carro de boi.
Um assento,
fragilmente selado,
no lombo de um burro.
Um passaporte,
só de ida,
no horizonte desconhecido.
Uma coruja,
com asas benevolentes,
capaz de guiar pela escuridão da noite.
Uma gaivota,
que sobrevoe o infinito do mar,
e que conduza a uma nova cidade.
Um peixe,
que leve pelas profundezas dos oceanos,
nos distantes redutos abissais.
Rusticidade na origem,
precariedade do transporte...
Meios e variadas circunstâncias para evadir.
Num grande desejo de partir,
o coração se apega à mínima possibilidade de fuga.
Independente da forma de saída,
sempre existirão incertezas sobre as novas estações de parada,
neste trem que percorre o caminho da ilusão.
Depois de um tempo,
dificuldades no contexto da saída pode se tornar até irrelevantes,
posto que exigências da vida são constantes.
Mesmo que alguém possa ter sido beneficiado nas suas primeiras partidas,
pessoas sempre terão que desenvolver novas habilidades.
Na musicalidade da vida,
sempre exigirão novos repertórios, novos acordes.
Cada regente deverá desempenhar novas maestrias.  

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Recôndito

No alto da serra,
entre fontes e nascentes,
uma vivenda na simplicidade.
Rusticidade paira no ar.
Numa extensa,
simples,
e aconchegante varanda,
abrigo aos pássaros,
receptividade para visitantes.
Portões livres aos pensamentos.
Cômodos convidativos à oração.
Reflexão,
acolhimento.
As atenções são variadas:
movimentos dos pássaros,
uivos dos ventos,
neblina do horizonte.
Liberdade para arranhar acordes,
cadenciar canções,
arranhar versos.
Em substituição às exigências do ofício,
a espontaneidade.
Ponteiros do relógio giram despercebidos.
Nada de processos, metodologias...
Adaptações com o remoto garantem
funcionalidade do essencial.
Rodeado de árvores,
um ambiente de abrigo para a alma.
E no coração de um corredor,
outrora aflito e apressado,
a serenidade,
a mansidão.
O desejo de chegar antes do amanhecer,
e preceder os raios do sol não mais existem.
Aprendizados se desconcertaram.
No alto da colina,
o viajante inquieto quer mesmo é descansar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Leitura

Momentos efêmeros no dedilhar de um livro.
Como marcadores de páginas,
folhas secas.
E de alternância, flores opacas e desidratadas,
que por etéreos momentos exalaram perfume e beleza.
Nostalgia inebriada nas letras,
nos versos,
nos contos.
Em muitos momentos,
a correlação com fatos pessoais vividos ou de terceiros.
É...
A leitura pode levar-nos a caminhos literários variados.
Ideia e imaginação podem viajar,
sobretudo se impulsionadas pela meandros das letras.
Em cada página, o meticuloso ofício da interpretação.
Pelas linhas,
entrelinhas instigam apreciações subjetivas e profundas.
A compreensão de cada verso pode ser mais importante que o desfecho final de um conto.
Assim como a vida, os caminhos podem ser mais interessantes que alguns destinos.
Leitura, vitalidade para a alma.

Beija flor

Peço ao beija flor, que entre pelo sertão... Que com as gotas do orvalho, renovação de cada aurora, leve meu manifesto da saudade. Sen...