sexta-feira, 29 de junho de 2018

Abstrações, pensamentos, impossibilidades


No retrovisor interno,
um olhar desconcertante.

No movimento da estrada,
olhos se desvirtuam,
de forma ocasional,
para minha princesinha.

Sentada numa singela cadeirinha,
que emocionalmente elucida um trono,
sinto-me maravilhado com seu olhar...

Pureza, simplicidade, inocência, amor sem medida...

E na dinâmica do carro,
ainda que na lentidão dos caminhos percorridos,
e mesmo que na forma de segundos,
tudo vai ficando para trás:
imagens, momentos, lugares, infância.

Sensações...
Quão rápida se consume a vida !
Em pouco tempo, quiçá serei eu o conduzido.

No pensamento,
um coração com a ingênua vontade transcendente,
de abraçá-la firme nos braços,
como se pudesse parar as horas,
ou congelar os instantes.

Ao relógio, eu o desligaria.
Quanto à ampulheta,  esvaziaria-lhe os grãos.
E ao momento, eternizá-lo-ia.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Caminhos


Um simples coração,
de terras distantes veio andando pela estrada.
Pelo trajeto,
um destino indefinido.
Conduzido levemente pela brisa das manhãs,
outras vezes acelerado pelas ventanias.
Na quietude,
a impessoalidade de um andarilho.
Por ora,
arrastado pela correnteza das chuvas,
sujeito à indiferença dos olhares.
Por vezes,
conduzido à irrelevância alheia.
Fadado à vulnerabilidade de uma folha seca,
levada aleatoriamente no espaço.
(...)
Por obra do acaso,
movimentos de brandura,
tal como um rio passando pelo remanso.
E no inusitado,
a vida floresce sobre as cinzas.
(...)
É...
Viver é isso...
A cada momento,
algo de novo, de surpreendente, de incerteza...

domingo, 3 de junho de 2018

Tempo corrente

Na semelhança com o batido das ondas,
o movimento intermitente.

Tempo: algo que se consome sem parar,
que independente do desenrolar dos fatos,
não cessa de girar: dispêndio inevitável.

A cada segundo,
um grão de areia perdido da ampulheta.

Um rio que corre infinitamente.

Ele nos leva por longas estradas,
no perpassar dos anos,
criando em nós vínculos.

Apegamos às pessoas, locais, coisas...
Nos apaixonamos...
E, de repente,
desconstitui todo este fluxo,
levando-nos pessoas,
sentimentos...

Arranca-nos pessoas,
não deixando muitas vezes,
ao menos dizermos adeus.

Legados?
Conseguiria ele nos deixar algo?
Reminiscências ?
Somente a possibilidade de encontros futuros,
mas através dos sonhos.
Olhares? Só com as miragens das estrelas.

Viagens


Nas viagens a locais distintos,
muitas vezes se vai em busca de algo peculiar, 
que nos faça encontrar com um pedaço de nós mesmos,
ainda que nem percebamos.

Como num paradoxo,
na procura por fatores externos,
a tentativa de preenchimento do âmago pelas subjetividades.

De forma inconsciente,
por muitos locais que passamos,
haverá sempre aqueles em que deixamos algo de nós,
ainda que de maneira abstrata.

O coração,
sabendo destas lacunas e incompletudes,
induz os passos e decisões a estes destinos.

E ao regresso a estes locais,
que porventura se esteja indo pela primeira vez,
um reencontro consigo mesmo.

sábado, 2 de junho de 2018

Rendição


Ao longo dos mistérios,
súplicas a Nossa Senhora...

No sequenciamento de ave-marias,
pedidos, conversas,
evasão de pensamentos.

Momentos de conforto,
leveza e acolhida no diálogo espiritual.

Concomitante aos versos,
instantes vagos para refletir sobre posturas
e comportamentos ao longo dos dias.

Horas de se pensar nas aflições, pendências, entraves...
Medidas que poderiam ser tomadas diante dos fatos...

Na sintonia com os céus,
e emergindo da oração,
o sopro mariano: epifania.

Na análise de ações realizadas,
sinalizações incitam clareza...
Explicitam-se que medidas humanas já foram tomadas,
no universo e cenário de viabilidades.

E a exemplo de Maria,
constatações...
O instante requer,
ao contrário de alardes e movimentos,
o silencio.

Momento de praticar o exercício da fé.

Fase exclusiva da entrega, da rendição.
Hora de se deixar conduzir pelos céus,
a fim de que Deus possa operar,
no Seu devido tempo,
a Sua vontade.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Nostalgia


No silêncio da noite,
após algum tempo da partida final...

A saudade continua bater no coração.

De forma desmedida,
pulsa aqui dentro um desejo de abraço.
Vontade de vê-lo,
tocá-lo.
Na realidade dos fatos,
a aspiração de algo humanamente impossível.

Sentimento convertido em dor física.
Lágrimas escorrem do coração,
salgando meus lábios,
e molhando minha face.

Lembranças...

Nos artifícios da memória,
somente a possibilidade do reavivamento de fatos vividos.

Cidades, ruas, prédios, cafés, igrejas, avenidas, pontes;
Passeios, caminhadas, visitas;
Canções;
Gestos, manias, cacoetes;
Histórias, contos;
Frases repetidas;
Roupas e acessórios próprios;
Despedidas de outrora: melosas, chorosas;
Ansiedades, aflições.

Telefonemas na calada da madrugada...

Por muito tempo,
esta chama de saudade vai percorrer nas minhas veias.

E ainda que passem os anos, este meu sangue vai pulsar por você.

Temporalidade

Tempo,
companheiro de toda a vida.

Aquele que nos traz pessoas,
com as quais relacionamos,
nos apegamos,
e que, 
de repente, 
nos tira quem amamos.

Tempo,
que muitas vezes finge ser lento, 
mas que, 
abruptamente,
leva de nós pessoas queridas, 
sem ao menos nos deixar dizer adeus.

Assim como o movimento das ondas,
o ciclo dos ponteiros cadencia o ritmo contínuo.

Tempo,
que nos leva tudo, 
e a cada segundo consome-nos com um grão de área da ampulheta
E que, 
ainda que de forma temporária,
deixa-nos a saudade.
Ingrediente que nos impulsa a viver,
de forma mais intensa,
os momentos: breves e passageiros.

Artifícios


No esgotamento dos grãos da ampulheta,
em circunstancias das mais variadas da vida,
naqueles em que já existam sinalizações do final,
o advento de alternativas mágicas.

Ações comuns,
vindas de pessoas,
sobretudo aquelas que não fizeram as coisas no seu devido tempo.
Tentativas desde as mais simples,
até as mais complexas emergem nestas pessoas.

Na hora do desespero,
o apelo para que saia,
literalmente,
um coelho da cartola.
No intuito de prover uma solução,
procedimentos além da realidade dos fatos:
No campo espiritual:
a manifestação disso na forma de simpatias, superstições, correntes...
Nas finanças:
apostas desmedidas, jogos de azar, financiamentos abusivos.
No trabalho:
horas extras, madrugadas, overdose de cafeína, energéticos...

Ainda que possam existir fatos advindos do acaso,
o fluxo normal da vida exige mesmo é planejamento,
trabalho,
economia,
acompanhamento contínuo dos fatos.

É recomendável sermos mais proativos que reativos.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sossego

Aquele lugar...
Distante daqui,
onde o sossego não faz visita,
posto que é residente.
Capaz de fazer a vida renascer... 
Lugarejo em que a quietude encontrou abrigo,
e que o viajante,
depois de muito percorrer,
entre montanhas, vertentes e mares,
sentiu se plenamente acolhido.
Local que a alforria se manifesta,
defronte a imensidão do mar.
Por onde a liberdade se confunde,
no limite entre céu e oceano.
E no saveiro,
sempre convidativo a uma viagem ao mar,
a possibilidade para se abrir ao infinito,
sabendo-se que o coração sempre terá para onde voltar,
quando saudade sentir do porto seguro.
Lá se pode abstrair de si,
deixando-se levar pelo batido das ondas,
pelo infinito do mar.
Preocupações?
Só com o batido das ondas,
com o ruído das gaivotas,
com o sopro do vento,  carregado de vida.

Abstrações, pensamentos, impossibilidades

No retrovisor interno, um olhar desconcertante. No movimento da estrada, olhos se desvirtuam, de forma ocasional, para minha ...